Agenda imigratória de Obama frustra os latinos dos EUA

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A cinco meses da eleição presidencial, o voto latino dos Estados Unidos está indeciso

A política imigratória desenvolvida pelo governo do presidente Barack Obama tem inquietado milhões de latinos cinco meses antes da eleição presidencial de terça-feira, 6 de novembro. As deportações e o baixo número de beneficiados de uma medida administrativa anunciada com alarido em junho do ano passado – e ratificada em 18 de agosto -, provocam frustração e podem afetar a ida às urnas.

“Suas políticas de imigração produziram poucos avanços entre os latinos, cujos votos podem ser cruciais para o mandatário em novembro”, assinalou o The New York Times nesta segunda-feira (11).

Dos 300 mil casos de deportação que começaram a ser revisados em agosto do ano passado pouco mais de 4.400 foram encerrados. Mas os beneficiados ficaram sumidos em uma espécie de limbo imigratório: continuam sendo indocumentados sem direito a conseguir uma autorização de trabalho ou uma carteira de motorista.

O jornal disse que há um ano a estratégia imigratória de Obama deu um giro quando as autoridades do Gabinete de Aduanas e Controle de Fronteiras (ICE) afirmaram que se concentrariam na deportação de criminosos e nas pessoas que enganaram o sistema de vistos, mas que não afetaria os imigrantes sem papéis que não tivessem antecedentes criminais.

Mas, depois da revisão de mais de 288 mil casos perante os tribunais de imigração, a promotoria favoreceu menos de 2 por cento, reiterou o diário.

E o The New York Times disse que esta não é a única política que causou decepção entre os latinos dos Estados Unidos.

Promessa não cumprida

Em 2008, durante sua campanha eleitoral, o presidente Barack Obama disse que empurraria uma reforma imigratória no primeiro ano de seu mandato e que incluiria uma via de legalização para milhões de indocumentados. Obama ganhou com a ajuda do voto latino, mas outros temas de maior preocupação nacional postergararam indefinidamente a promessa migratoria.

Quatro anos depois e às vésperas de uma reeleição, Obama enfrenta uma disputa apertada contra Mitt Romney e a pressão para que o mandatário faça algo a favor dos latinos, em matéria de imigração, cresce dia a dia.

Em 2009, pouco depois de assumir a presidência, Obama parou com as batidas para deter imigrantes nas fábricas e nos campos agrícolas. Mas não as eliminou, e sim as substituiu pelo programa E-Verify, sistema que os ativistas pelos direitos dos imigrantes batizaram como batidas silenciosas.

O E-Verify trata-se de uma gigantesca base de datos administrada pelo Departamento de Segurança Nacional (DHS) e interconectada com a Administração da Seguridade Social (SSA) e cujo objetivo é verificar se os trabalhadores têm permissão de estadia legal no país e autorização de trabalho.

Também a mudança na Lei do Castigo, que pode favorecer milhares de pessoas permitindo que elas esperem o processamento dentro dos EUA, ainda não foi aprovada.

Apesar dos escassos resultados obtidos no tema imigratório, que sensibiliza bastante os latinos, Obama goza de uma ampla vantagem sobre Romney neste segmento da população. Uma recente pesquisa Gallup, realizada nacionalmente entre 14 de maio e 3 de junho, revelou que os eleitores latinos inclinam-se por Obama em relação a Romney em 67 por cento contra 26 por cento.

Este ano os partidários de Obama advertiram que pode ser muito mais difícil a participação nas urnas e nada garante que haverá um procura grande por registros tardios. E mesmo o discurso de Romney, contrário à imigração indocumentada, garante que o presidente tem assegurado o voto latino ou uma alta participação nas urnas em novembro.

Dura repressão

Nos dois primeiros anos (2009 e 2010) a administração optou por uma dura política de repressão contra os indocumentados em um esforço para ganhar credibilidade com os republicanos para atrair seus votos de aprovação para um debate sobre reforma imigratória no Congresso. Mas, com a economia fragilizada e milhões de americanos sem trabalho, os republicanos se afastaram das propostas que ajudariam os imigrantes indocumentados, afirmou o The New York Times.

Em 2010, rechaçaram uma oferta de Obama para aprovar o DREAM Act, projeto de lei surgido pela primeira vez em 2001 e que tem como objetivo conceder status legal de permanência aos estudantes sem papéis que entraram nos Estados Unidos como crianças e não têm antecedentes criminais.

A falta de apoio bipartidário nestes 11 anos impediu qualquer tentativa de aprovar o projeto, que sofreu várias modificações. Se aprovado, beneficiará cerca de 800 mil jovens. Nos Estados Unidos se formam a cada ano cerca de 65 mil estudantes indocumentados na escola secundária.

A Casa Branca defende seus programas enfocados na comunidade latina e assinala que vão muito além da imigração. No sábado (9), altos funcionários do governo se reuniram em Arlington, Virgínia, com líderes latinos locais, para discutir postos de trabalho, educação e saúde, assim como imigração.

Cecilia Muñoz, diretora de política interna da Casa Branca, tem deixado claro que a administração tratará de culpar os republicanos pelo fracasso de Obama em aprovar sua reforma imigratória.