Agente da Patrulha de Fronteira cobrava $15 mil por travessia

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Esta semana também foi divulgado que 14 homens foram mortos por agentes da Patrulha de Fronteira desde outubro de 2009

DA REDAÇÃO COM NOTIMEX – Um agente da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos que comandava um bando de traficantes chegou a cobrar até $15 mil de cada indocumentado para que pudesse cruzar a fronteira na Califórnia pela guarita de San Ysidro, de acordo com as acusações apresentadas nesta terça-feira (17).

O inspetor do Gabinete de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), Héctor Rodríguez, oferecia através de dois cúmplices “travessias garantidas” pela fronteira por pagamentos que oscilavam entre $10 mil e $15 mil por pessoa.

A Procuradoria Federal em San Diego calcula que o bando facilitou a entrada de pelo menos 37 grupos de indocumentados, com um número indefinido de imigrantes.

O Gabinete Federal de Investigações (FBI) deteve Rodríguez, de 42 anos, e seus cúmplices, Gerardo Rodríguez, de 37 anos, e Vanessa Molla, de 29 anos, na sexta-feira passada (13).

No momento da detenção dos cúmplices do inspetor no estacionamento de um departamento perto da fronteira, o grupo transportava 14 indocumentados em uma van.

De acordo com os documentos, o agente Rodríguez informava seus parceiros sobre a porta da guarita pela qual estaria encarregado e os outros levavam o veículo por esta entrada, onde o inspetor entrava com informações falsas em seu terminal de computador.

Após terminar seu turno, o agente ia recolher seu pagamento. Os documentos indicam que o inspetor também desfrutava de alguns privilégios adicionais, como dirigir pelo menos dois veículos de luxo e usar relógios das marcas mais caras do mercado.

Aumentam as mortes

Na segunda-feira (16), foi divulgado que pelo menos 14 homens foram mortos por disparos de agentes da Patrulha da Fronteira, em sua maioria, desde outubro de 2009, conforme informaram entidades como i-Newsource, o Fundo de Pesquisa do Instituto Nacional, rádios públicas do Texas e Califórnia e a rede de TV pública americana.

Os meios de comunicação destacaram o caso do mexicano Anastasio Hernández Rojas, que morreu em maio de 2010 aos 45 anos de idade, pai de cinco cidadãos americanos.

Hernández Rojas foi algemado com as mãos nas costas, colocado com a boca no chão em um estacionamento perto da fronteira de San Ysidro, na Califórnia, onde pelo menos uma dezena de agentes federais o espancaram, deram chutes e joelhadas, e lhe aplicaram seis descargas elétricas imobilizadoras.

Hernández Rojas teve morte cerebral no ato e dois dias depois faleceu em um hospital de Chula Vista.

Os veículos de comunicação destacaram que neste mês um grande júri debaterá este caso, que o legista forense de San Diego determinou como homicídio, porque 16 parlamentares federais pediram uma investigação.

O relatório, que inclui a Rede de Notícias, uma organização nacional sem fins lucrativos, assinalou que a Califórnia tomou medidas preventivas ao aprovar uma lei que limita as deportações aos indocumentados perigosos. Esta ação estadual ocorreu logo depois de a Suprema Corte de Justiça dos Estados Unidos referendar partes da anti-imigrante Lei do Arizona, a SB 1070.

Os meios de imprensa atribuíram à Lei do Arizona casos como o do mexicano Jesús Castro Romo, que foi detido, espancado e insultado por um agente da Patrulha de Fronteira, que, além do mais, fez um disparo que atingiu uma de suas pernas.

O agente federal se afastou do local desértico, onde deixou Castro Romo sangrando durante uma hora e meia, até que ele fosse encontrado por um grupo de resgate que passava casualmente pelo local.