Agentes da fronteira são acusados de ter metas de prisões de imigrantes

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Ativistas manifestaram preocupação com detenções indiscriminadas

A Polícia da Fronteira está investigando alegações de que os agentes que atuam nos posto do sul da Califórnia recebem uma meta mensal de prisões de imigrantes. De acordo com depoimentos, nos meses em que o número não é alcançado, o responsável pela corporação pune seus comandados com mudanças no horário de trabalho e cancelamento das folgas.
A denúncia foi feita contra Jeffrey Calhoon, chefe do posto de El Centro, que abrange outras unidades na fronteira entre o México e a Califórnia, entre elas a de Riverside, de onde vieram muitas críticas. Oficiais manifestaram o seu descontentamento com a medida que traçou a cota para prisão de 150 indocumentados em janeiro, mas Calhoon disse que suas palavras foram mal interpretadas. “A agência realmente usa metas para incentivar seus membros, como por exemplo quanto ao número de operações, mas estipular a quantidade de detenções não é uma prática por aqui. E não toleramos qualquer tipo de ameaça ou punição”, afirmou Calhoon.
Agentes contaram ainda que, em novembro e dezembro, foram “incentivados” a deter pelo menos 100 imigrantes por mês, mas que a cota subiu 50% este ano. Muitos deles foram ao sindicato para reclamar. “Eu considero a iniciativa descabida”, confirmou Lombardo Amaya, que integra uma das comissões do Conselho da Polícia da Fronteira. Nas duas últimas semanas de janeiro, a polícia da fronteira prendeu naquela área cerca de 130 indocumentados, sendo 71 deles com passagem pela polícia.
Não houve punições até o momento, até porque o presidente do Conselho, que representa perto de 15 mil profissionais da corporação em todo o país, quer aguardar os resultados da investigação, que segundo ele será “justa e imparcial”. Os ativistas que defendem os imigrantes estão preocupados que tal prática pode ter levado os agentes a efetuarem detenções de indocumentados em áreas distantes da fronteira, apenas para alcançar a cota. “Vamos conduzir nossa própria investigação para saber o que aconteceu de verdade”, disse Pablo Alvarado, diretor de uma entidade na Califórnia.