Ajuda mais efetiva às vítimas das enchentes no Rio de Janeiro é financeira

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Burocracia ainda impede que mantimentos e roupas sejam enviados daqui dos Estados Unidos

Como sempre acontece quando é chamada a ajudar, a comunidade brasileira nos Estados Unidos “mais especificamente aqui no Sul da Flórida “se mobilizou para arrecadar mantimentos e roupas para as vítimas das enchentes na Região Serrana do Rio de Janeiro. A tragédia na primeira quinzena do ano já matou mais de 700 pessoas e deixou quase 20 mil desabrigados, mas toda a solidariedade do nosso povo aqui na América esbarra na burocracia. Segundo a responsável pelo setor comercial da TAM Cargo, Marcela Gallo, a companhia aerea ainda está tentando junto à TSA (Transportation Security Administration), entidade que regula as leis referentes ao transporte de carga, uma autorização para o envio de todo o material.

“A TAM é uma empresa de passageiros e somente pode mandar as chamadas cargas conhecidas, ou seja, bagagem de quem embarca na aeronave. Para transportar carga desconhecida precisamos de uma autorização específica e a petição já está nas mãos das autoridades em Washington. Esperamos receber a resposta o quanto antes, pois sabemos que as necessidades são urgentes”, disse Marcela, pelo telefone. Ela esclarece que a TAM ainda não está recolhendo os mantimentos (roupas e alimentos não-perecíveis, excluindo líquidos) pois para receber todo o conteúdo precisa de um despachante aqui nos Estados Unidos e no local de destino para organizar todo o material em caixas e para preparar a documentação junto à Alfândega.

Mas os brasileiros do sul da Flórida já conseguiram reunir cerca de 20 toneladas de roupas e alimentos, graças à forte mobilização via mídias sociais. Segundo Denise Schneider, moradora de Miami e uma das mais engajadas na ajuda, o material será colocado em um contêiner de 40 pés na semana que vem para ser enviado à Cruz Vermelha no Rio de Janeiro. “Este foi um presente dado por alguns empresários locais e que certamente será de grande valia para os desabrigados. Depois vamos preparar outro”, afirmou a brasileira do Rio Grande do Norte.

Ela, no entanto, avisa que alguns pontos ainda estão recebendo mantimentos, como o Viva Brasil (na Collins Avenue), o Boteco de Miami e o AcheiUSA, em Deefield Beach.”Nossas maiores necessidades agora são roupas de bebê e produtos de higiene pessoal”, ressaltou. Denise ficou encantada com a participação dos brasileiros, mas admitiu que o primeiro contêiner só deve chegar ao seu destino dentro de quase um mês.

Por isso, a melhor forma de contribuição, neste momento, continua sendo através da ajuda financeira. O Consulado Brasileiro de Miami divulgou uma lista de instituições credenciadas, com suas respectivas contas-correntes, para aceitar doações às vítimas da maior catástrofe climática já ocorrida no Brasil. Por outro lado, outras entidades e associações aqui na Flórida estão se organizando para arrecadar recursos com o mesmo fim.

Este é o caso, por exemplo, da Primeira Igreja Batista de Pompano Beach, que programou uma ‘yard sale’ para o dia 29 de janeiro, no Centro de Família. O objetivo do ‘Mutirão da Solidariedade’ é arrecadar dinheiro, que será todo convertido para atender às necessidades básicas do povo de Nova Friburgo, Teresópolis e cercanias. Além da ‘yard sale’, os interessados terão à sua disposição serviços como lavagem de carro e um delicioso almoço. Será no sábado (dia 29), de 7:30 am às 3 pm, na sede da Igreja (1103 NE 33rd Street), em Pompano.

Quando a burocracia é maior que a solidariedade

Os entraves burocráticos não são uma novidade no Brasil, mas quando o assunto é ajuda às vítimas de uma calamidade, como a que aconteceu no Rio de Janeiro há poucos dias, as dificuldades podem significar perdas de vidas. O número de desabrigados na Região Serrana já passou de 15 mil: gente que precisa de produtos básicos, como roupas, cobertores e até material de uso pessoal. A demora na chegada destes mantimentos é outra tragédia, apesar de toda a solidariedade.

“Lembro-me que a TAM conseguiu disponibilizar o envio de dois contêneires para comunidades carentes no Nordeste, através da entidade Brazilian Mission, mas este material passou seis anos retido na alfândega brasileira”, recorda Silvana Mandelli, coordenadora de Marketing da companhia aerea em Miami. Ela lamenta que as leis não possam ser flexibilizadas, em caso de desastres naturais. “Estamos fazendo a nossa parte, até porque a necessidade destas pessoas é imediata. No entanto, esbarramos na burocracia”, afirma Silvana.

Este, porém, não é um problema apenas brasileiro. O pastor Silair Almeida, da PIB, ressalta que um contêiner com roupas e alimentos não-perecíveis foi enviado pela comunidade às vítimas do terremoto do Haiti, no ano passado, mas ainda não chegou ao seu destino.
“Infelizmente, muitas vezes a burocracia é maior do que a solidariedade”, disse o pastor, que está no Rio de Janeiro e pretende visitar a região atingida pelas enchentes para levar, pessoalmente, a ajuda em dinheiro arrecadada na Igreja.


Conheça algumas instituições credenciadas para receber donativos ou dinheiro para as vítimas das enchentes:

SOS Teresópolis – Donativos
Banco do Brasil
Agência: 0741-2
C/C: 110000-9
CNPJ – 29.138.369/0001-47

SOS Teresópolis – Donativos
Caixa Econômica Federal
Agência: 4146
C/C: 2011-1
CNPJ – 29.138.369/0001-47

Prefeitura de Nova Friburgo
Banco: Banco do Brasil
Agência: 0335-2
Conta: 120.000-3
Defesa Civil – RJ

Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 0199
Operação: 006
Conta: 2011-0

Viva Rio (organização não-governamental)
Banco: Banco do Brasil
Agência:1769-8
Conta-corrente: 411396-9
CNPJ: 00343941/0001-28