Alunos de direito da Virgínia ajudam imigrantes sem papéis

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Estudantes da Universidade da Virgínia lutam para conseguir status legal de permanência nos EUA

Alguns advogados provavelmente prefeririam evitar uma cliente como Shanteny Calvin, mas os estudantes da Clínica de Direito de Imigração da Faculdade de Direito da Universidade da Virgínia não hesitaram en analisar seu caso.

Imigrante centro-americana e mãe de três filhos, ela sonhava se tornar residente permanente dos Estados Unidos. No entanto, seus antecedentes criminais complicavam seu caso, dificultando ainda mais a obtenção de um green card.

Ela veio da Costa Rica há 10 anos. Desde esta época, alguém abusou dela, explicou Anisha Singh, estudante terceiranista de direito, que cuidou do caso de Calvin. Ela disse que a mulher havia sido acusada de agressão, dar cheques sem fundos e não se apresentar na corte.

Os problemas de Calvin, destacou Singh, estão relacionados com o abuso que sofria. O homem controlava suas finanças e dificultava em fornecer o necessário para seus filhos.

No desespero, emitiu cheques sem fundos para poder alimentar sua família, disse a estudante. Não tinha outra opção.

Ela não se apresentou na corte no dia determinado porque tinha medo de que a separassem de seus filhos, acrescentou.

Doug Ford, diretor da clínica, considerou que Calvin é vítima do círculo vicioso da violência doméstica. Faz parte do círculo de abusos domésticos. Ela se defendeu. Isto complicou muito o trabalho legal, afirmou.

Singh disse que pode ganhar o caso de Calvin ao demonstrar que sua cliente se reabilitou e estava dedicada a melhorar. Desde que o abusador saiu de sua vida, ela vem tendo a oportunidade de reconstruir sua vida com seus filhos, disse Singh. Agora Calvin trabalha em um banco de alimentos em Richmond e está muito envolvida nas organizações de pais e mestres nas escolas de seus filhos. Está fazendo classes noturnas na Universidade Mary Baldwin com a esperança de se converter em professora de espanhol futuramente.

Valiosa experiência

Desde que a Clínica de Direito de Imigração foi fundada, em 2004, proporcionou a muitos aspirantes a advogados a oportunidade de obter valiosa experiência direta nos tribunais. A clínica é um curso de um semestre que concede quatro créditos e recebe entre cinco ou seis estudantes por período, disse Ford.

Os estudantes têm uma responsabilidade. Eu sou o supervisor; minha licença é a que tecnicamente avaliza o processo, mas eles conduzem o caso, afirmou Ford. Dou muita ênfase em passar a eles a responsabilidade. No primeiro dia do seminário recebem arquivos dos casos.

Em sua maior parte, a Clínica de Direito de Imigração administra casos complexos nos quais estão envolvidos clientes com antecedentes criminais, acrescentou. Grande parte de nosso trabalho é com a comunidade que não tem documentos, que carece de autorização (para estar no país), disse. Pegamos os casos difíceis.

Sem a ajuda da clínica, muitos destes homens e mulheres não poderiam pagar os serviços legais para ajudá-los a obter um green card.

Sem um advogado não dá, a lei de imigração é muito complicada, destacou Ford. Todo o trabalho realizado através da Clínica de Direito de Imigração é pro bono (para o bem público).

Uma pessoa da classe trabalhadora não pode se dar ao luxo de pagar milhares de dólares em honorários legais. Os estudantes dão a esta gente uma oportunidade que, de outra forma, não teriam, afirmou.