Americanos aprendem português via rádio

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Eles são alunos da Rutgers University, em New Jersey, e compartilham a paixão pelo Brasil

Joselina Reis

Erio Rosario, Paul Fowlie, Megan Hunziker e Brittany Buchanan
Erio Rosario, Paul Fowlie, Megan Hunziker e Brittany Buchanan

Por semestre, cerca de 160 alunos da Rutgers University, a universidade pública de New Jersey, escolhem o português para estudar como idioma estrangeiro, como parte da grade curricular, entre quase dez outros cursos de línguas disponíveis.

A jornalista brasileira Daiane Tamanaha é professora de um dos cursos oferecidos  na universidade e, este semestre, resolveu finalizar o curso criando um programa de rádio em português para “tirar o medo dos alunos” de se comunicar na língua estrangeira. “Pensei no programa de rádio como projeto final do curso que leciono porque, como jornalista, sei que o rádio é um instrumento que ajuda a desinibir porque você fala com muitas pessoas, usando apenas o microfone”, explica.

Os alunos aprovaram a ideia. “Eu achei muito legal e muito divertido!’’, disse (em português) o americano de família porto-riquenha, Erio David Perales, de 18 anos.

Ele conta que mora próximo a Ironbound, uma região conhecida por ter a maior comunidade brasileira em New Jersey. A proximidade também tem ajudado-o a praticar o que aprendeu nas aulas na universidade. “Eu pratico a língua falando com meus amigos brasileiros, escutando música brasileira, e lendo notícias em português. Algumas vezes, eu vou para Ironbound e falo com as garçonetes nos restaurantes’’, completou (sempre em português).

O programa de rádio, chamado Hot Portuguese 102, vai ter três edições, cada uma com 30 minutos, que vão ser transmitidas, ainda sem data definida, pela rádio da universidade, a Rutgers Radio Station. Será a primeira vez que a rádio vai transmitir um programa em português. Cada programa tem nove músicas dos mais variados ritmos, desde rock, sertanejo, funk e MPB. “O programa terá ainda informações sobre a língua portuguesa no mundo e sobre os cursos de português da universidade, além de notícias sobre o Brasil’’, diz.  

Daiane Tamanaha, chegou aos Estados Unidos em 2010, acompanhando o marido,  pesquisador em neurociência na Princeton University. Com o Brasil “na moda”,  devido a campanha exaustiva na mídia–primeiro sobre a Copa do Mundo, e agora por causa das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janero– Daiane tem encontrado várias oportunidades para divulgar a língua portuguesa. ‘’Já dei aulas na Princeton University, na University of Delaware e agora na Rutgers’’, comemora.

Enquanto para alguns o português parece interessante por estar “na moda”, para outros aprender o idioma significa manter e estreitar as raízes familiares.  Matthew Bielasiak, de 19 anos, cuja mãe é brasileira, entende quando as pessoas falam em português, mas admite que ainda não tem confiança para se comunicar usando a língua portuguesa. “Minha mãe sempre fala comigo em português. Eu entendo o que ela diz porque eu fui criado ouvindo-a falar, mas ainda me sinto inseguro em responder usando o português. Isso sempre foi um problema. Eu sentia falta da educação formal em português, por isso  decidi estudar o idioma na universidade porque seria uma ótima maneira de obter créditos para a faculdade e também aprender algo muito útil’’, disse ele (em inglês).