Ana Beatriz

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Nasce uma estrela

Antonio Tozzi

Ou poderíamos dizer também A Star Is Born, porque Ana Beatriz tanto pode cantar em português como em inglês sem perder a bossa, além de espanhol. A menina que descende uma linhagem de ilustres jornalistas, Leila Cordeiro e Eliakim Araújo, já revelou talento para escrever – seus textos são publicados semanalmente no site Direto da Redação – e está até mesmo cursando jornalismo na Flórida, mas tem um sonho declarado: “Quero ser cantora!” Sonho? Melhor seria dizer determinação, porque ela está em busca do que quer.

Ana Beatriz tem o que se diz aqui nos Estados Unidos o full package. Canta bem, é boa letrista (compõe melhor em inglês, admite), bonita, simpática, jovem e está começando a estudar piano para aprimorar sua capacidade como compositora. Ou seja, bem trabalhada, tem tudo para estourar nas paradas.

Mas será que é isto o que ela deseja? Na verdade, Ana não quer ser apenas mais um produto comercial, descartável, fazer um sucesso meteórico, ganhar dinheiro e desaparecer sem deixar vestígios nas memórias dos ouvintes. Ela já teve oportunidade de seguir este caminho. Preferiu, no entanto, batalhar um pouco mais e ser dona de sua carreira, em vez de apenas ser uma mera engrenagem no sistema industrial de vendagem de discos, onde o que menos conta é o talento.

A cantora de apenas 20 anos de idade lembra que, aos 17 anos de idade, surgiu uma chance para lançar um disco próprio, pela gravadora Sony. O produtor, porém, queria que ela voltasse para o Brasil, de onde seria lançada nacionalmente. Dois aspectos impediram o projeto de se materializar, conforme conta a própria Ana: “Precisaria retornar para o Brasil, algo que não estava nos meus planos na época, e fazer um tipo de trabalho com o qual não me identificava. Por isso, decidi esperar um pouco mais para ter um controle melhor sobre minha carreira”.

CD demo. E para focar em sua carreira ela já está preparando um CD demo. Ana Beatriz e o parceiro Gustavo Andriewiski já compuseram três canções (“Books and Gas”, “Fifth Avenue” e “Self Disguise”) e estão trabalhando em novas composições para poder apresentar o material aos produtores.

Como se vê, a carreira está bem planejada. Diferentemente da fábula de la Fontaine, Ana Beatriz consegue conciliar o lado cigarra, de cantar, ao lado formiga, de trabalhar bastante. Em vez de ficar gastando seu tempo em shopping e cabeleireiros, ela tem uma agenda apertada, comparável à dos executivos.

Acompanhem a semana da menina. Às terças e quintas-feiras, ela cursa a faculdade de Jornalismo, na FIU; às segundas, quartas e sextas, trabalha num call center; quartas-feiras à noite, ensaios; sextas-feiras, apresentações no Panorama; sábados, shows em outros locais; segundas-feiras de manhã estuda piano. E domingo, dia livre, porque ninguém é de ferro.

Não é à toa que sobra pouco tempo para namorar. Mas ela já namorou com brasileiros, americanos e hispânicos. Embora não tenha uma fórmula pronta, os pretendentes com mais chances são aqueles que reúnem atração física, senso de humor, inteligência, “se gostar de música e cinema, então, melhor ainda”, completa. A preferência, porém, recai sobre os brasileiros, “porque são mais calientes”, sorri, matreira.

Parceiro musical. Ana Beatriz encontrou o parceiro ideal em Gustavo Andriewiski, carioca como ela, e oriundo de família de músicos, primo em segundo grau de César Camargo Mariano. Por conta disso, freqüentava bastante a casa de César e Elis Regina.

Criado no ambiente da música popular brasileira, Gustavo derivou mesmo foi para o rock ’n’ roll. Ele ganhou uma coleção dos Beatles aos cinco anos de idade e foi fisgado pela música inglesa e americana. Quando jovem, curtia as bandas inglesas de heavy metal como Led Zeppelin, Slade e outras.

Ironicamente, vivendo há três anos nos Estados Unidos, Gustavo redescobriu a beleza da MPB. Músico, já teve duas canções suas, em inglês, incluídas em duas trilhas sonoras internacionais das novelas “Vira Lata” e “O Amor Está no Ar”, da TV Globo. Agora, seu projeto é dedicar-se a compor e à produção musical.

O marido de Bianca e pai de David (10 anos) e Natália (6 anos) está curtindo a parceria com Ana Beatriz, que, segundo ele, escreve muito bem em inglês e tem um potencial incrível. “Se não visse potencial nela nem perderia meu tempo”, comenta Gustavo.

Quem quiser conferir o trabalho de Ana Beatriz e Gustavo Andriewiski tem encontro marcado com a dupla todas as sextas-feiras à noite, no Restaurante Panorama (East Atlantic Avenue). Os freqüentadores podem ainda escolher uma das canções do cardápio musical preparado por eles que está à disposição nas mesas do restaurante.

Tem canções em português, inglês e espanhol. À escolha do freguês.