Após 18 anos da sua morte, Ayrton Senna ainda é lembrado

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Para milhões de fãs, Senna é o principal nome do automobilismo mundial e o segundo maior ídolo esportivo do Brasil

Por: Jehozadak Pereira

Depois de Pelé, a maior expressão do esporte brasileiro foi, sem dúvida alguma, Ayrton Senna da Silva ou o Ayrton Senna do Brasil. Ayrton viveu e morreu como gostava correndo e batendo recordes e mais recordes na Fórmula 1. Quando morreu em 1994, aos 34 anos de idade, Senna era o maior nome em atividade no automobilismo mundial. Tricampeão de Fórmula 1 pela McLaren em 1988, 1990 e 1991, Senna era um piloto arrojado e dono de uma técnica quase que insuperável, e que fez contratos milionários mesmo para os padrões da categoria no seu último ano na McLaren, recebia, além do seu salário anual, US$ 1 milhão por corrida.

Ao longo da sua carreira foi piloto da Tolleman, Lotus, McLaren e por fim da Willians.

Senna começou sua carreira correndo de kart, como muitos dos pilotos brasileiros, e atrás do sonho dourado foi para a Inglaterra correr na Fórmula 3 onde foi campeão. Sua forma de pilotar e suas vitórias chamaram a atenção, e logo estava na categoria que é a nata dos pilotos mundiais.

Na McLaren estava o seu maior “inimigo” na modalidade Alain Prost, com quem Senna dividia podiuns, títulos e desavenças. Em 1989, na última corrida da temporada no Japão, Senna precisava de um ponto para se sagrar campeão, e logo na primeira curva foi jogado para fora da pista por Prost. Com a desistência de Senna, Prost sagrou-se campeão daquela temporada.

O troco veio em grande estilo dois anos depois. No mesmo grande prêmio do Japão, desta vez quem precisava de um ponto era Prost, e ele foi devidamente jogado sem cerimônia alguma para fora da pista por Senna, que ficou com o título; numa manobra arriscada a 250 quilômetros por hora, que poderia ter custado a vida de ambos. Para alimentar ainda mais a polêmica em torno da vitória de Senna, Jean Marie Ballestre, presidente da Associação dos Construtores e da FIA Federação Internacional de Automobilismo, ameaçou caçar o título de Senna, justo ele que dois anos antes não havia tomado atitude alguma contra Allan Prost.

Quando trocou a McLaren pela Willians, que tinha o melhor carro da temporada, Senna se juntava à melhor equipe da temporada, e os analistas e especialistas afirmavam que ambos equipe e piloto seriam imbatíveis e as vitórias seriam inesquecíveis.

Ao encerrar a sua carreira de modo trágico e prematuro no muro da Tamburello, a 300 quilômetros por hora, Senna transformou-se no mito que fazia tanto sucesso vivo quanto morto. Senna foi um recordista na Fórmula 1, e muitos dos seus recordes pessoais durarão muitos anos. As alegrias dos brasileiros nas manhãs dominicais com as suas vitórias e performances, eram embaladas ao som do tema da Vitória, tocado após suas conquistas transmitidas pela Rede Globo durante os dez anos que Senna pilotou um carro de Fórmula 1.

Ayrton Senna foi o piloto que mais venceu corridas de ponta a ponta 19 vezes. Se para uns Senna era um gênio perfeccionista, que inaugurou o hábito na categoria de ir para os autódromos andar pela pista, para conhecer o traçado, pontos de ultrapassagem, área de escape, e com isso desenvolver estratégias para treinos e corridas, para outros era um maluco alucinado e obcecado que buscava a superação a 300 quilômetros por hora, o que lhe custou a vida. Ou mesmo que seu carro fosse inferior tecnicamente, ele tirava a diferença no braço, andando acima dos limites do carro e do risco.

Implacável com seus erros que não admitia em possibilidade alguma, buscava a perfeição no pilotar fosse em pista seca ou molhada ou em detrimento do seu estado físico, como na vitória antológica do Grande Prêmio do Brasil em 1993, onde, para sair do carro e ir receber o seu troféu, Senna teve de ir carregado. Aquele triunfo foi a síntese da carreira vitoriosa de Ayrton Senna da Silva e mostrou o que todo mundo já sabia ninguém pilotava um carro de Fórmula 1 como ele.