Assédio de times europeus perturba preparação da seleção brasileira

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Comissão técnica está preocupada que negociações atrapalhem a concentração da equipe

A comissão técnica da seleção brasileira convive com um conhecido inconveniente: o assédio de clubes europeus a vários jogadores que compõem o grupo que disputará a Copa das Confederações. É algo inevitável, pois na Europa é época de ir às compras, mas o temor é que as negociações prejudiquem a concentração desses atletas e o esforço é para que isso não ocorra.

Dos convocados, Neymar já definiu sua vida com o Barcelona e Fernando, o volante do Grêmio, está bem próximo de um acerto com o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Mas há outros na prateleira: Paulinho mantém um namoro de meses com a Inter de Milão, mas também é cobiçado por Shakhtar e Monaco; David Luiz estaria na mira do Barcelona; o Inter gaúcho venderá Leandro Damião para o Tottenham ou qualquer outro clube que apareça com uma mala recheada de dólares.

Não para por aí. Bernard é cortejado por cinco clubes, de acordo com o presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, entre eles Porto e Borussia Dortmund. E até mesmo os goleiros vivem a expectativa de serem negociados. Jefferson foi sondado pelo Tottenham e Julio Cesar, do Queens Park Rangers, não esconde de ninguém querer se mandar para um clube de maior expressão.

Com tanto assédio, como a comissão técnica pretende manter os jogadores concentrados na seleção brasileira? “A gente está isolando os jogadores, os empresários não têm contato com eles na concentração”, disse um integrante do staff da seleção. “Mas ninguém pode evitar que eles (empresário e jogador) conversem no dia de folga”, acrescentou.

O coordenador Carlos Alberto Parreira também explicou o que a comissão técnica pretende ao falar especificamente da liberação de Neymar para se apresentar ao Barcelona. “Nós autorizamos e apoiamos, porque aí termina o problema e, na volta de Neymar, o foco será total na Copa das Confederações’.” Porém, Neymar é um privilegiado e nenhum outro jogador será liberado para dizer “alô” aos torcedores do clube que eventualmente o contrate.

A comissão técnica sabe o óbvio: nos dias atuais, é impossível manter os jogadores isolados do mundo e de seus empresários. Por isso, segundo fonte ligada ao pessoal da seleção, a recomendação, quando necessário, é para o atleta procurar não misturar as coisas.

Desinteresse

Oficialmente, os jogadores garantem que não querem nem saber das negociações que os envolvem, sem se preocuparem com o fato de que ninguém acredita.

“Eu tenho um empresário competente, que sabe zelar por meus interesses e deixo a cargo dele esse tipo de coisa”, disse Paulinho no Rio de Janeiro. “Prefiro deixar esse assunto para meu empresário resolver. Ele sabe o que penso e o que deve fazer”, declarou Jefferson.

O representante de um dos jogadores que podem ir para a Europa admitiu, em conversa com a imprensa, o óbvio. “É até hipocrisia dizer que os atletas não participam ou não são informados sobre seu destino só porque estão na seleção. Nem preciso enumerar as maneiras de contato que temos hoje, né?” Ele explica que o que faz é procurar não “ficar enchendo” o jogador sempre que ocorre um novo fato na negociação ” só se comunicam sobre coisas relevantes. E acredita que seus colegas façam o mesmo.

Esta semana, por exemplo, circulou em Goiânia a informação de que o empresário Jorge Machado já passou para Fernando a proposta que o Shakhtar lhe fez e que o volante a está estudando. Para o Grêmio, os ucranianos oferecem cerca de R$ 40 milhões.