Ataque a jornal francês choca o mundo

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Obama e líderes de diversos países condenam atentado terrorista que matou jornalistas e cartunistas em Paris

DA REDAÇÃO COM AGÊNCIA BRASIL

THIBAULT CAMUS/AP
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Esta semana, o mundo assistiu perplexo a mais uma manifestação de intolerância religiosa depois dos atentados à sede da revista satírica Charlie Hebdo, em Paris, França, na quarta-feira (7), no qual 12 pessoas morreram.

A revista já havia sido alvo de uma ataque no passado após publicar uma caricatura do profeta Maomé, o que irritou os muçulmanos. Fontes judiciais ouvidas pela France Press confirmaram a morte de quatro importantes cartunistas franceses no ataque: Wolinski, Charb, Cabu e Tignous. Dois policiais também estão entre as vítimas.

Dois homens mascarados invadiram a sede do jornal às 11h30 no horário local, utilizando metralhadoras AK-47.  Mais de 88 mil agentes das forças de segurança pública da França estão diretamente envolvidos nas ações de vigilância, prevenção e proteção dos cidadãos, instalações e do território francês. Parte desse efetivo tenta capturar os dois suspeitos de terem atacado a redação do semanário.

Três suspeitos pelo ataque foram identificados. Eles são os irmãos Chérif e Hayd Kouachi, de 34 e 32 anos anos, além de Hamyd Mourad, de 18 anos, que seria sem-teto. De acordo com a agência AFP, Mourad se entregou à polícia de Charleville-Mézières ainda na noite desta quarta. Os irmãos Kouachi continuam foragidos. Eles são da região de Gennevilliers, no noroeste de Paris. As fotos dos dois, que são filhos de imigrantes argelinos e nasceram na capital francesa, foram vazadas em redes sociais e, posteriormente, divulgadas pela polícia com o alerta de que são perigosos e podem estar armados.

À Reuters, uma fonte da polícia francesa afirmou que um dos irmãos, Chérif, tinha sido previamente julgado por acusações de terrorismo. Segundo a agência AP, ele foi condenado a 3 anos de prisão por cooptar jovens franceses para atuar como combatentes jihadistas no Iraque. Mas ele só ficou detido por 1 ano e meio e depois respondeu ao resto da pena em liberdade. O trio seria militante do movimento fundamentalista islâmico.

Alerta máximo
Poucas horas após o ataque ao jornal, no centro de Paris, o governo francês elevou ao máximo o nível de alerta do plano interministerial contra o terrorismo. Uma verdadeira operação de guerra foi acionada para tentar evitar novos ataques. Nove pessoas já foram presas.

Segundo o Ministério do Interior, há 88.150 agentes estrategicamente espalhados: 50 mil policiais militares, 32 mil gendarmes (soldados de uma corporação especial encarregada de manter a ordem pública), 5 mil integrantes de forças móveis e 1.150 militares.

Em Brasília, funcionários e frequentadores da embaixada francesa fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do Charlie Hebdo. Ao fim da homenagem, o embaixador Denis Pietton referiu-se à manchete do jornal francês Le Monde desta quinta-feira como uma síntese do momento que a França atravessa e dos desafios que os franceses enfrentarão.

“Livres, de pé e juntos. Temos a sorte de viver numa sociedade livre e temos de defender essa liberdade, sabendo que isso sempre tem um preço”, disse o embaixador, afirmando que há décadas a França é alvo de terroristas contrariados com o “compromisso inflexível” do país com a liberdade e a diversidade. “Estamos e permaneceremos de pé, como povo e indivíduos. E devemos permanecer juntos, porque os valores da República francesa–Liberdade, Igualdade e Fraternidade -, que nos unem, são muito mais fortes do que as nossas divisões de qualquer natureza”, ressaltou.

Líderes se manifestam
O premiê britânico, David Cameron, condenou o ataque e o classificou de “doentio”, além de reforçar seu apoio à França na luta contra o terrorismo.

“Os assassinatos em Paris são doentios. Nós estamos ao lado dos franceses na luta contra o terrorismo e na defesa da liberdade de imprensa”, disse o premiê em um comunicado oficial.

A Casa Branca condenou “nos termos mais fortes” o ataque. “Toda a Casa Branca se solidariza com as famílias de todos os que resultaram mortos ou feridos neste ataque”, disse Josh Earnest, porta-voz do presidente dos EUA, Barack Obama.

Mais tarde, um comunicado assinado por Obama dizia que “Estamos em contato com as autoridades francesas para fornecer qualquer ajuda necessária para levar esses terroristas à Justiça.”

A presidente Dilma Rousseff divulgou nota na qual afirmou estar “indignada” com o ataque “terrorista e sangrento”. “Esse ato de barbárie, além das lastimáveis perdas humanas, é um inaceitável ataque a um valor fundamental das sociedades democráticas–a liberdade de imprensa”.

O Vaticano, sede da Igreja Católica, considerou abominável o atentado em Paris. O porta-voz da Santa Sé, Padre Ciro Benedettini, disse que a ação “é um duplo ato de violência, porque ao mesmo tempo que ataca as pessoas, também ataca a liberdade de imprensa”. O sacerdote disse ainda que o Papa Francisco deve enviar uma mensagem especial ao arcebispo de Paris ainda nesta quarta.