Atrasos em aeroportos nos EUA estão ´cada vez piores´

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Segundo matéria do ´NYT´, pontualidade dos vôos alcançam níveis mínimos

Estado de S.Paulo
Não só no Brasil as pessoas que necessitam de transporte aéreo estão sendo obrigadas a enfrentar atrasos e complicações em suas viagens. Nos Estados Unidos a situação é bastante semelhante, segundo relata nesta quinta-feira, 5, uma reportagem do jornal The New York Times.

Segundo a matéria, os atrasos nos aeroportos americanos estão ficando “cada vez pior este ano”. De acordo com dados de companhias aéreas, a pontualidade dos vôos alcançaram níveis mínimos, mas mesmo os dados oficiais não revelam a gravidade real do problema.

Isso porque as estatísticas contam apenas quanto os aviões estão atrasados, mas não registram os atrasos dos passageiros. Não oficialmente contadas, as longas demoras, as quais resultam em conexões perdidas e vôos cancelados, significam espera de horas ou mesmo de dias em aeroportos e hotéis à espera de vôos.

Segundo o jornal, nos primeiros cinco meses de 2007, mais de 25% de todos os vôos nos EUA chegaram com, pelo menos, 15 minutos de atraso.

Pelas contagens da Northwest Airlines, Janis Cavinder enfrentou um atraso de apenas duas horas durante sua rápida viagem a Londres para comemorar o feriado da independência dos Estados Unidos, em 4 de julho, com uma amiga da faculdade. Em sua própria contagem, Cavinder foi obrigada a agüentar uma demora de um dia todo, após ter seu vôo redirecionado e terminar o feriado dentro de um avião.

A capitã da Força Aérea, de 27 anos, perdeu sua conexão após a primeira parte da viagem, de San Diego a Detroit, o que a levou a um espera de seis longas horas.

Para passar o tempo, Cavinder fez o melhor que pôde, visitando rapidamente a Estátua da Liberdade e o Marco Zero (antigo local onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center), enquanto tinha de se desculpar com sua colega, também membro da Aeronáutica, que teve de passar o feriado sozinha em Londres.

“Nós seriamos americanos celebrando em Londres o Quatro (de julho). Agora teremos de celebrar o ´cinco´”, afirmou Cavinder, que nesta quinta deve ter conseguido realizar, finalmente, seu primeiro vôo intercontinental.

Conexões perdidas
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) conduziram uma pesquisa há alguns anos a qual mostrou que quando conexões são perdidas ou vôos são cancelado, a espera média por um novo embarque era cerca de 60% maior que os registrados nas estatísticas oficiais.

Eles também mostraram que os aviões, à medida em que ficam cada vez mais cheios – e eles nunca estiveram tão lotados como hoje em dia -, os atrasos demoram ainda mais pelo simples fato de que fica mais difícil encontrar assentos em vôos posteriores. A pesquisa está sendo revista atualmente.

Com lotação de vôos domésticos na casa dos 85% a 90%, isso significa que virtualmente todos os vôos para as rotas desejáveis estão lotados, afirmou Cynthia Barnhart, uma professora do MIT especialista em sistemas de transportes. Em entrevista concedida ao NYT, a especialista prevê que “haverão ainda aumentos incríveis nos atrasos”.

Somente 32% dos passageiros domésticos que necessitam de conexão chegam a seus destinos, diz uma pesquisa encomendada pelo Departamento de Transporte.

A designer Virginia Russell enfrentou, oficialmente, um atraso de duas horas em um vôo noturno realizado em fevereiro. Ela voaria de Newark a Cleveland e teria uma conexão a fazer em Nova Orleans, onde teve de esperar por mais de 13 horas por um novo vôo.

Além disso, sem contar a superlotação, as tempestades de relâmpagos – comuns nesta época do ano em alguns Estados americanos – e o sobrecarregado sistema de controle de tráfego aéreo podem fazer com que os passageiros experimentem uma sensação com a qual o brasileiro já está bastante familiarizado: o “apagão” aéreo.