Audiências na Câmara Federal dos EUA podem atrasar projeto de imigração

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Tática tem como objetivo retardar a indicação de nomes de parlamentares para integrar Comitê de Conferência e adiar a votação para depois das eleições gerais em novembro.

Numa tática que pode sepultar o propalado esforço do presidente Bush para assinar uma lei de imigração antes das eleições gerais marcadas para o início de novembro, os líderes do Partido Republicano da Câmara de Deputados anunciaram nesta terça-feira(20) que farão uma série de audiências durante o recesso de agosto, com o objetivo de emperrar as negociações até pelo menos a chegada do outono.

O anúncio foi o mais claro sinal de que a Câmara de Deputados desistiu de aprovar uma ampla reforma imigratória este ano. Eles consideram que a abordagem deles – exigindo a construção de um muro ao longo da fronteira com o México e deportando imigrantes ilegais – é bem mais popular entre os eleitores do que a proposta do Senado, apoiada prlo presidente George W. Bush, que prevê a criação de um programa de trabalhador temporário e permite a muitos imigrantes legalizar-se e obter a cidadania americana.

Os líderes da Câmara de Deputados disseram que diversos relatores do comitê retardarão as audiências nos distritos congressionais do sudoeste e do sul e em outras áreas onde o tema imigração é especialmente importante. Aquelas audiências serão realizadas antes do início do processo formal de negociação entre a Câmara e o Senado, que pode levar meses para ser completado, devido à complexidade do assunto e ao interesse das empresas, bem como às preocupações trabalhistas e sociais. “Não estou estabelecendo nenhuma data, mas acho que precisamos fazer isto de uma forma correta”, disse o presidente da Câmara Dennis Hastert, republicano do Illinois, após uma sessão estratégica.

Os negociadores do Senado diminuíram a importância das audiências, notando que conversações informais já começaram entre as duas Casas do Congresso. Indagado sobre se seria possível um acordo com o Senado ainda neste outono, durante uma temporada de reeleições, o líder da maioria, Roy Blunt, republicano do Missouri, aquiesceu: “Penso ser possível, mas não sei quão provável será”.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, colocou o anúncio da Câmara de maneira positiva, dizendo que as audiências preliminares poderiam “possivelmente dar uma oportunidade para o surgimento de outros temas” que ela admite serem “complexos”. Mas, completou: “O presidente está determinado a aprovar uma reforma de imigração abrangente”.

O deputado Tom ancredo, republicano do Colorado, que está liderando a luta contra a proposta do Senado, afirmou: “As apostas eram as de que o chamado ‘projeto de lei ddo compromisso’ chegaria à mesa do presidente ainda este ano. O projeto de anistia do Senado já está no caixão e estas audiências ajudarão a enterrá-lo ainda mais”.

O senador Edward Kennedy, democrata de Massachusetts, um dos principais autores do plano do Senado, chamou o anúncio de uma “tática cínica de retardamento”.

A jogada da Câmara foi um tapa na cara de Bush, que está procurando aprovar uma lei de imigração abrangente, na linha do que foi aprovado pelo Senado em 25 de maio, que estabelece o fortalecimento das fronteiras, um programa de trabalhador temporário e oferece a oportunidade de cidadania à maioria dos 12 milhões de indocumentados que vivem nos EUA.

Os republicanos da Câmara rejeitaram a proposta do presidente. Em dezembro, eles aprovaram um projeto de lei que prevê o aumento de controle nas fronteiras, a punição de empregadores que contratem indocumentados e torna criminosos os imigrantes ilegais, bem como aqueles que os ajudarem.

Os líderes da Câmara têm arrastado a indicação dos nomes dos negociadores para o Comitê de Conferência entre Câmara e Senado para acertar os dois projetos de lei e tirar um único projeto de lei do Congresso, o qual deverá ser encaminhado à sanção presidencial.