Bilhões com a reforma imigratória

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Uma reforma ampla daria ao serviço de imigração dos Estados Unidos mais de $40 bilhões

Um relatório elaborado pelo Center for American Progress (Centro para o Progresso Americano CAP) revelou que se o Congresso aprovar uma reforma imigratória ampla e o presidente Barack Obama sancioná-la, os cofres do serviço de imigração americano ficariam cheios com bilhões de dólares no curto prazo.

Segundo dados do Pew Hispanic Center (PEW, grupo de Washington que estuda os movimentos imigratórios) e o Departamento de Segurança Nacional (DHS), o número de indocumentados nos Estados Unidos é de 11 milhões e a maioria veio da América Latina. Já o CAP indica o número de estrangeiros sem papéis em 13 milhões.

Se forem levadas em conta as atuais tarifas do Escritório de Cidadania e Serviços de Imigração (USCIS) e o plano de reforma imigratória patrocinado por um grupo de senadores democratas (que inclui uma via regulada para a legalização), cada indocumentado deveria pagar:

Multa para iniciar o praocesso $1,000
Multa para pedir a residência $1,000
Formulário I-485 (ajuste de status) $ 985
Formulário I-765 (autorização de trabalho) $ 380
Coleta de impressões digitais $85
Total $3,450

Se depois de cinco anos pedir a cidadania, deverá pagar outros US$595 mais US$85 pela coleta de impressões digitais.

De acordo com os dados do PEW e do DHS, a reforma imigratória deixaria nos cofres do USCIS o estimado de US$37,950 bilhões. Se for agregada a cidadania, o montante sobe para US$45,430 bilhões.

Se for considerado o número indicado pelo CAP, o USCIS receberia US$44,850 bilhões. Se for acrescentada a cidadania, o total arrecadado seria de US$52,330 bilhões.

Os advogados, no entanto, advertem que o total trata-se somente de uma estimativa e que o Congresso ainda não aprovou nada, portanto ninguém deve pagar nada a ninguém nestes momentos e a cifra pode variar dependendo de cada caso em particular.

Por ora, o Congresso tem sobre a mesa dois projetos de lei. Um, apresentado pelo deputado Lamar Smith (republicano do Texas), que recomenda criminalizar a estadia indocumentada e favorecer a deportação de indocumentados. Outro, patrocinado por um grupo de senadores democratas encabeçado por Bob Menéndez (Nova Jersey), inclui uma via de legalização regulada para indocumentados que, entre outros requisitos, careçam de antecedentes criminais e falem inglês.

Para ser aprovada, a reforma imigratória precisa de 218 votos na Câmara de Deputados e 60 no Senado. Os republicanos que controlam a Câmara têm dito que não apoiarão o projeto, enquanto no Senado, controlado pelos democratas com 51 cadeiras sobre o total de 100, não possuem o número de votos necessários.

Ao número estabelecido sobre a base dos valores mínimos, teria de ser agregada outra série de imprevistos, tais como:
Gastos de representação com advogado, caso o indocumentado tenha problemas com a justiça.

Gastos com envio de documentos ao USCIS.

Naqueles casos em que o serviço de imigração der parecer negativo ao processo e o estrangeiro recorrer, deverá contratar um advogado e preencher o formulário I-290B, que atualmente custa US$630 para cada apelação.

O CAP disse que nos primeiros três anos de reforma imigratória seriam aumentada as receitas fiscais em US$4,5 bilhões, número que representa um excelente incentivo para a economia dos Estados Unidos.

A praga dos indocumentados

Embora os autores e proponentes da legislação anti-imigrante tenham recebido alguma notoriedade inicialmente, eles podem estar pagando o preço de incentivar estas medidas imigratórias caras e sectárias. Além das ações imediatas aprovadas que são cópias das do Arizona, há agora custos políticos e fiscais adicionais que estes estados e apoiadores desas leis restritivas devem pagar.

Na semana passada, foram coletadas assinaturas suficientes para abrir o recall de uma eleição contra o presidente do Senado do Arizona, Russell Pearce, em novembro deste ano. Pearce era nacionalmente desconhecido até autorizar a SB 1070 do Arizona. A teimosia de Pearce custou ao Arizona milhões de taxas legais, a perda de empresas e a receita advinda com o turismo, e agora pode lhe custar sua cadeira no senado. De acordo com o Partido Republicano do Arizona, esta deve ser o primeiro recall eleitoral de um legislador estadual na história do Arizona.

Na Geórgia, as evidências mostram que tentativa de regulamentar a imigração está dando efeito contrário. Relatórios demonstram que as empresas agrícolas da Geórgia estão em crise. Os produtores perderam 11,000 trabalhadores que faziam as colheitas em seus campos e o plano do governador Nathan Deal de trazer ex-detentos não está funcionando. Apesar da alta taxa de desemprego no estado, os americanos não estão dispostos a sofrer debaixo do sol inclemente para ganhar US$12 por hora.

E isto deve repetir-se no Alabama, Carolina do Norte e outros estados que pensam estar solucionando seus problemas ao culpar os imigrantes indocumentados, mas, na verdade, estão apenas aumentando-os.