Brasil e EUA querem acelerar Doha nos próximos meses

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A representante Comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab, e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmaram no sábado que vão intensificar nos próximos meses os esforços entre os dois países para fazer avançar a Rodada Doha.

A Rodada Doha, a negociação multilateral iniciada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 para reduzir as barreiras comerciais entre os países, está emperrada desde julho do ano passado.

Os dois não estabeleceram um prazo para que a Rodada seja reaberta, mas Amorim disse que “os meses de abril e maio são muito importantes” para que as negociações multilaterais sejam restabelecidas.

Susan Schwab falou que a reabertura da Rodada precisa ser estabelecida “nos próximos meses”.

Amorim e Schwab também disseram que os dois governos vão realizar diversas reuniões nos próximos meses sobre Doha.

Trancados

A reunião entre Amorim e Schwab em um hotel em São Paulo durou mais de duas horas.

“Seguimos a recomendação dos nossos presidentes e nos trancamos em uma sala para discutir Doha”, brincou Amorim, ao sair da reunião. Na sexta-feira, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush haviam proposto, entre risos, fechar os ministros em uma sala, até que se chegasse a um acordo.

“Há uma janela de oportunidade aberta entre os países (da OMC para a retomada de Doha). Se não aproveitarmos o impulso de agora, perderemos essa janela”, disse a representante de Comércio dos Estados Unidos.

Ela ressaltou também que Brasil, Estados Unidos e União Européia estão engajados nas discussões, mas que é preciso trazer os demais países – como China, Índia, Austrália e Japão – para “mais perto” da mesa de debate.

Amorim disse que se o momento atual não for aproveitado, eventualmente os líderes mundiais vão desistir da Rodada e passar a discutir outros assuntos.

“Se você me perguntar por que, exatamente, o momento (para discutir Doha) é propício, eu não sei dizer. Mas quem tem experiência em negociações entende que agora essa janela está aberta.”

Acordos setoriais

Susan Schwab foi cautelosa ao comentar a iniciativa de empresários do Brasil de negociar a reabertura de Doha diretamente com o setor privado dos Estados Unidos.

Ela ouviu a proposta dos empresários brasileiros em visita à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na sexta-feira.

“Nossa visita aos empresários brasileiros foi para entender os aspectos ofensivos e os aspectos defensivos do setor industrial brasileiro, o mesmo que fazemos ao nos reunir com empresários americanos”, disse Schwab.

“É para entender o que nossos parceiros ouvem diretamente dos setores da sua economia. O que vimos é que os empresários brasileiros estão otimistas com a perspectiva de poder competir internacionalmente.”

Nos próximos dias, o ministro Celso Amorim deve viajar para França e para Indonésia, onde participará como convidado da reunião do G33 (grupo de mais de 40 países preocupados com os efeitos da liberalização comercial sobre os pequenos agricultores).