Brasileira é mais uma vítima fatal da imprudência de motoristas na I-95

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Cristina Pokrajac (foto) foi atropelada na faixa de emergência, enquanto aguardava socorro

São 1.925 milhas, entre a Flórida e Maine, de perigo constante. A Interstate 95 (I-95), a principal e mais extensa rodovia na costa leste dos Estados Unidos, que atravessa algumas das áreas urbanas mais populosas do país – como Boston, New York, Philadelphia, Baltimore, Washington DC e Miami -, é conhecida como a ‘rodovia da morte’. De acordo com as estatísticas da patrulha rodoviária, mais de três mil pessoas perderam suas vidas na I-95 entre 2004 e 2008, o que significa quase duas mortes por dia nesta estrada. O último fim de semana registrou mais uma vítima fatal em suas pistas: a mineira Cristina Pokrajac foi atropelada na altura de Pompano Beach, na faixa de emergência, onde havia estacionado por força de problemas no seu carro. Outros brasileiros também fazem parte desta triste estatística, já que pelo menos outros cinco dos nossos conterrâneos foram vítimas fatais nestes cinco anos e o sul da Flórida lidera este ranking.

“Se você ainda não se envolveu em algum acidente ou pelo menos viu uma batida na I-95, você não é humano”, disse um internauta que participou de um chat num site sobre os perigos nas estradas americanas (www.urbandictionary.com). Realmente, a Interestadual foi apontada como a mais perigosa do país. E não é preciso ir muito longe para descobrir o porquê. A autovia que atravessa 15 estados possui um tráfego intenso de caminhões, o limite de velocidade dificilmente é respeitado, a manutenção das pistas é precária e as autoridades falham na fiscalização das cargas. “Está ficando impossível policiar a I-95, pois as irregularidades são muitas. Às vezes fico tonto com tanta imprudência”, confessou um policial da Florida Highway Patrol, afirmando que seriam necessários mais unidades ao longo da rodovia.

Quando foi construída em 1950, a previsão inicial é que a I-95 receberia apenas 150 mil veículos em toda a sua extensão, mas só no trecho entre Miami-Dade e Broward, por exemplo, costumam circular mais de 230 mil carros pela autovia, num dia útil comum. Outro detalhe surpreendente é que nos últimos dois anos em Palm Beach os acidentes na Interestadual aumentaram 62%, enquanto que a média nacional caiu 2%. “Quando estou na 95 dirijo com cuidado redobrado”, admitiu Carlos Migandi, da Record Internacional. O cinegrafista passou por uma situação inusitada há poucos meses, quando uma escada de trabalho se desprendeu de uma caminhonete que estava à sua frente na rodovia e ele só escapou do acidente graças ao reflexo.

Imprudência de motorista abrevia vida de brasileira

A vida da brasileira Cristina Pokrajac foi interrompida aos 27 anos, aparentemente por imprudência de um motorista ao volante na rodovia I-95. Ela foi atropelada na altura de Pompano Beach, quando parou na faixa de emergência na madrugada de sábado por problemas no seu carro. Cristina, que voltava do show de Netinho, no Club Cinema, morreu na hora.
O veículo que atingiu a brasileira foi um Mitsubishi Eclipse ano 96, dirigido por Jose Arturo Palomino, que fugiu do local sem prestar socorro. Mais tarde, ele abandonou o veículo em Oakland Park e, segundo a Polícia, ligou para o proprietário do carro pedindo desculpas pelo acontecido. As autoridades informaram que Palomino está sendo procurado para esclarecer as circunstâncias do acidente. A acompanhante dele já foi identificada: ela é Ana Guerrero, de 20 anos, que ficou ferida na batida.
A mineira Cristina, que passou boa parte da infância e adolescência em Brasília, morava em Miami, com a filha Natasha e o segundo marido, o gaúcho Eduardo Klein. Segundo a sogra, Maria de Lourdes Klein, no domingo, às 2 pm, será celebrada uma missa de corpo presente na capela da St. Forts Funeral Home, em North Miami Beach (16480 NE 19th Avenue), já com a presença de parentes que ainda estão em Brasília. A mãe de Cristina, Luzia Nascimento, está enfrentando dificuldades no consulado americano para obter o visto de emergência de entrada nos Estados Unidos. “Estes dias têm sido extremamente difíceis para todos nós, pois ela era uma pessoa jovem e cheia de vida”, disse Maria de Lourdes, bastante emocionada. O corpo da brasileira será cremado e suas cinzas serão divididas em duas urnas.
Ela contou também que Cristina, que era cabeleireira, estava animada com as perspectivas de mudanças, já começaria a trabalhar num salão brasileiro. Natasha já está com o pai, em Pittsburgh (Pensilvânia).

Indignada com o que aconteceu, Maria de Lourdes está oferecendo uma recompensa a quem tiver notícia do paradeiro de Palomino. A polícia também está recebendo informações sobre o que chamou de “person of interest” no caso, através do telefone do Broward Crime Stoppers – (954) 493-8477

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