Brasileira reencontra filhos três anos depois

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Testemunha-chave no julgamento do assassinato da família Szczepanik em 2009 consegue trazer os filhos do Brasil


Wanderlucia Paiva abraça os filhos que vieram de São Paulo

“Acho que agora vou gostar mais de Omaha, porque meus filhos estão comigo. Eles não falam inglês, e não sabem nada a respeito daqui, mas estão loucos para ver a neve.”
— Wanderlucia Paiva

“Algumas poucas horas não são nada depois de três anos”, disse Wanderlucia (Lucy) Oliveira de Paiva. “Só preciso respirar para não desmaiar.”

Quando seus três filhos e o tutor que os acompanhava finalmente chegaram, pouco antes das 6 da tarde, as crianças abraçaram longamente a mãe.

Lucy, 35 anos, vive nos Estados Unidos desde 2011. Seu testemunho contra o namorado no tribunal do condado de Douglas (Nebraska) ajudou a extrair dele a confissão de participação no crime de assassinato.

Valdeir Gonçalves Santos, pai de dois dos filhos de Lucy, confessou, logo após o testemunho dela, de ter participado em 2009 do assassinato do missionário brasileiro Vanderlei Szczepanik, a mulher dele, Jacqueline, e o filho do casal, Christopher, de 7 anos. Valdeir foi condenado a dez anos de prisão pelo crime.

Um segundo homem, José Oliveira Coutinho, também foi julgado pelo crime e condenado à prisão perpétua. Um terceiro, Elias Lourenço Batista, estaria no Brasil. Há uma ordem de prisão ainda válida para ele, segundo o investigador Rod James, da Procuradoria (Attorney’s Office) do Condado de Douglas.

A Procuradoria do condado e a Lutheran Family Services of Nebraska juntaram esforços para reunir Lucy com as duas filhas, Renata (14) e Kamily (10), e o filho Tawan (9). Um quarto filho, Tawany (1), nasceu em Omaha.

James afirmou que as crianças se beneficiarão do status imigratório da mãe. Lucy tem um processo em andamento, com possibilidade de cidadania.

Lucy chegou aos Estados Unidos sem falar inglês, mas hoje estuda no Metropolitan Community College. Ela disse que os filhos terão de aprender o inglês e se adaptar ao frio. Em São Paulo, de onde eles chegaram, fazia 26 graus no domingo passado.

“Acho que agora vou gostar mais de Omaha, porque meus filhos estão comigo”, ela disse. “Eles não falam inglês, e não sabem nada a respeito daqui, mas estão loucos para ver a neve.”

As crianças moravam no Brasil com a bisavó e o tutor que as acompanhou até Omaha. Elas deveriam ter chegado às 11 da manhã, mas ficaram detidas em Houston, onde os agentes de imigração as entrevistaram. O grupo deixou São Paulo às 7:30 pm de sábado (hora central americana) e chegou em Houston às 5 da mannhã de domingo.

Lucy disse que nunca pensou em passar tanto tempo sem ver os filhos. Ela vinha sofrendo ameaças no Brasil após o seu testemunho na corte que ajudou a desvendar o crime.

James disse que a reunião já deveria ter acontecido em outubro passado, mas autoridades brasileiras impediram que as três crianças embarcassem para cá na época. “As crianças precisam estar com a mãe”, comentou ele. “Não sei o que aconteceu em Houston, mas vou tentar saber, porque esperávamos que tudo fosse resolvido por aqui mesmo.”

Bev Carlson, do Lutheran Family Services, disse que a sua organização conseguiu pessoas que doaram $2 mil para cobrir as despesas com advogados, a fim de liberar as crianças no Brasil. A organização também vai ajudar as crianças na escola, para conseguir números de Social Security e outras necessidades. A Procuradoria ajudou Lucy a encontrar emprego e um lugar para morar.

“Agora que as crianças estão aqui, a Procuradoria vai passar a tarefa de cuidar de Lucy para o Lutheran Family Services”, disse James. “Eles querem ajudar Lucy em tudo, de A a Z, da escola à saúde. Será um longo processo de adaptação.

A adaptação será mais fácil por causa da qualidade de vida em Omaha, disse Lucy. “A vida é boa aqui, mas toda minha família ainda está no Brasil. Penso neles o tempo inteiro”.