Brasileiras fazem campanha pela liberdade de Rosangela Spradling

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Em maio de 2013, ela matou o marido, o americano Steven Spradling, durante uma discussão

Joselina Reis

Rosangela SpradlingUm grupo de brasileiras no estado da Virginia está angariando fundos para ajudar a brasileira Rosangela Spradling que pode passar o resto da vida na cadeia pela morte do marido, o americano Steven Spradling. Através do site de coleta mútua –
www.youcaring.com/other/rosangela-spradling-%20defense-fund/120453–o grupo quer conseguir recursos para contratar advogados e tentar diminuir a pena ou conseguir a liberdade da brasileira. “Nós queremos divulgar o caso dela e buscar apoio de entidades que ajudam pessoas vítimas de violência doméstica”, conta Rose Ribeiro, uma das integrantes do grupo de apoio à Rosangela. A página traz um vídeo contando a vida da brasileira.

O crime aconteceu em maio de 2013 depois de, segundo depoimentos da brasileira, anos de violência doméstica. Entretanto, o histórico violento do marido não foi levado como atenuante no processo contra Rosangela. A brasileira foi incriminada por assassinato em primeiro grau e pode pegar prisão perpétua. Como, aparentemente, não há indícios de que o crime tenha sido premeditado, Rosangela deve ficar livre da pena de morte.

De acordo com jornais da época, Steven estava bêbado e teria tentado estrangular Rosangela. Após uma discussão, ela pegou a arma dele e atirou. Para ter certeza que ele não mais a agrediria, a brasileira atirou novamente, desta vez na cabeça. Durante o ano de 2012 e 2013 a polícia teria sido chamada por diversas vezes à casa do família devido às constantes brigas entre os dois e com os vizinhos.

Ao ser presa, Rosangela, que não tem familiares nos EUA, entregou os dois filhos (10 anos e 8 anos) a um vizinho. A família deve continuar com as crianças até 1º de julho deste ano quando a justiça deve entregar os dois definitivamente para a família do pai.

Alguns familiares de Rosangela vieram aos Estados Unidos duas vezes em 2013 na tentativa de requerer a guarda das crianças, mas pouco puderam fazer. “Eu e minhas irmãs estivemos em Virginia no mês de julho e novembro para visitar as crianças e na intenção de pegarmos a custódia até o caso dela ser resolvido, mas chegando aí tivemos informações que teríamos que ter um advogado para nos representar, e não tínhamos condições de pagar um advogado tendo em vista ser muito caro, e que um defensor público não tínhamos direito porque não éramos cidadãs americanas e nem residente no país.”, afirmou Rosália Martins.

Até mesmo ver os sobrinhos foi uma tarefa difícil. A família de Rosangela teve vários pedidos negados e somente pouco tempo antes de voltar ao Brasil puderam ver as crianças. “Entramos em contato com a família que está cuidando dos meus sobrinhos porque gostaríamos de visitá-los e até mesmo passar um final de semana conosco, mas fomos informadas que não poderíamos nos aproximar de sua propriedade e nem mesmo do colégio das crianças, pois caso isso acontecesse eles iriam chamar a polícia. Ficamos arrasadas de saber que não podíamos ver nossos sobrinhos. Informamos a advogada das crianças sobre o fato ocorrido e ela mesma nos informou que neste caso precisaríamos de uma ordem judicial, e isto poderia levar de uma semana ou mais para obtermos essa ordem emitida por um juiz. E mais uma vez tentamos um acordo com o casal através de e-mails, e o mesmo nos concedeu três visitas em sua própria casa e sob supervisão do mesmos.”, contou Rosália em email à redação do jornal AcheiUSA.

Rosália contou ainda que a família sabia que a vida familiar de Rosangela não era fácil, mas somente quando o caso veio à tona na imprensa americana souberam da gravidade da situação. Rosangela teria levado os filhos e Steven apenas uma vez ao Brasil, e a família a teria visitado na Virginia também apenas uma vez.