Brasileiro aguarda para fazer transplante raro em Miami

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Justiça determinou que governo do Brasil pague a cirurgia e família já se mudou para a Flórida

Ana Paula Franco

Antônio Cassiano Júnior com sua mãe Alessandra Pinheiro Rodrigues Daquino de Jesus
Antônio Cassiano Júnior com sua mãe Alessandra Pinheiro Rodrigues Daquino de Jesus

O jovem Antônio Cassiano Júnior tem apenas 16 anos e muitos sonhos. Ele não vê a hora de o doador compatível aparecer para que ele volte a ter uma vida normal. Júnior está no Jackson Memorial Hospital em Miami há dez dias para fazer um transplante de intestino. Ele foi diagnosticado com a síndrome do Intestino UltraCurto que fez com ele perdesse 95% do intestino delgado e a cirurgia, que custa $1 milhão, só é feita nos EUA.

“Estou cansado de me alimentar por sonda e de viver em hospital. Estou um pouco nervoso com a cirurgia, mas quero que aconteça logo”, disse Júnior ao AcheiUSA.

Todo o tratamento e despesas serão financiadas pelo governo brasileiro por determinação da Justiça Federal de São Paulo. Desde então, a mãe e o pai de Júnior estão morando com o menino aqui. Eles são de uma cidade pequena no interior de Minas Gerais, Campos Gerais, e tiveram toda a rotina modificada para acompanhar o filho.

A cirurgia do jovem será feita pela equipe do médico Rodrigo Vianna, brasileiro chefe do setor de transplantes do hospital, que já realizou cirurgias semelhantes em outros pacientes brasileiros. O brasileiro Paulo Cavalcanti, de 50 anos, e mais de 30 em Miami, se sensibilizou com a história de Júnior e juntamente com sua ex-esposa, Joyce da Silva, estão dando todo o suporte à família. Paulo já passou por essa situação na família e sentiu na pele tudo o que o jovem está passando. “Sei o quanto é difícil um transplante e em outro país tudo se torna ainda mais complicado. Por isso resolvemos ajudar”, disse.

Entenda o caso
Em 23 de agosto de 2014, Antônio Gleiber Cassiano Júnior sentiu uma dor intensa na região da barriga, mas foi tratado com analgésicos e liberado. A dor se intensificou e, no mesmo dia, ele voltou a receber atendimento em Campos Gerais (MG), cidade onde mora com a família. Ele foi transferido em 24 de agosto para o Hospital Universitário Alzira Velano, em Alfenas (MG), onde, no dia seguinte, foi diagnosticado e operado. Cerca de 95% do intestino dele foi retirado.

Em setembro, Júnior foi enviado ao Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, para se submeter a uma cirurgia de alongamento do intestino. O procedimento chegou a ser feito, mas os médicos perceberam que havia restado apenas 10 centímetros de intestino, sendo que o mínimo necessário seria 40 centímetros. Desde então, Júnior e a mãe vivem em Curitiba.

A família entrou, em novembro, com uma ação pedindo que a União bancasse o transplante no Jackson Memorial Hospital, em Miami, nos Estados Unidos, alegando que o procedimento não é realizado no Brasil. O governo brasileiro argumentou, no processo, que o procedimento poderia ser feito nos hospitais Albert Einstein e Hospital das Clínicas, ambos de São Paulo, mas a família relatou, no processo que, dos seis procedimentos desse tipo realizados no país desde 2010, todos resultaram na morte dos pacientes em um prazo de até seis meses após a realização dos transplantes. Os dois hospitais foram ouvidos no processo e confirmaram que não dispunham da expertise necessária para a realização dos procedimentos com taxa aceitável e sobrevivência. A decisão saiu em maio.