Brasileiro condenado à prisão perpétua

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Alfredo Oliveira que matou Jackeline de Melo em dezembro de 2006 ouviu o veredito nesta sexta-feira

Um brasileiro do Deerfield Beach foi condenado à prisão perpétua nesta sexta-feira (17) pelo brutal assasinato de Jackeline de Melo em dezembro de 2006. Ele esfaqueou a garota, também brasileira, por estar inconformado com o término do romance entre eles.

Alfredo Oliveira, de 40 anos, raramente levantou sua cabeça durante a audiência conduzida pela juíza Ilona Holmes do Circuito de Broward, nem mesmo quando a irmã de Jackeline sentou-se no banco das testemunhas, rejeitou suas desculpas e pediu à juíza que mostrasse a ele a mesma misericórdia que ele mostrou à vítima.

Jackeline de Melo foi esfaqueada 32 vezes, de acordo com o promotor Alberto Ribas. Dez dos ferimentos foram defensivos, comprovando que a vítima sabia o que estava acontecendo e tentou lutar com seu assassino. Oliveira teve até mesmo de trocar de faca durante a briga, porque a primeira faca quebrou antes dele terminar de matá-la.

“Nunca em nossos pesadelos poderíamos ter imaginado estar nesta corte, a dez pés do covarde que decidiu acabar com a vida dela”, disse a irmã, Aline de Melo, a única da família a falar na corte. “Ele não pode sequer ter a decência de levantar a cabeça ou nos fitar nos olhos. Covarde.”

Oliveira declarou-se culpado em 31 de janeiro passado pelo assassinato em segundo grau. O advogado de defesa George Reres o retratou como um cristão conturbado que sabia qual era o caminho correto, mas que se descontrolou quando Jackeline de Melo lhe disse que não havia nenhum futuro para eles como casal e o insultou com um apelido anti-gay.

“Não há desculpas para o que ele fez”, admitiu Reres. “Ele se perdeu completamente, perdeu o controle e cometeu um crime horrível.”

Reres disse que seu cliente abrigou a vítima durante o último ano de sua vida, depois dela ter fugido da casa de sua família, oeste de Boca Raton. Embora tivesse 16 anos na época, ela lhe disse que era mais velha. Ele não havia percebido que ela era menor de idade até depois dela ter returnado para a casa de sua família, menos de um mês antes de sua morte.

Quando soube que Jackeline de Melo era menor de idade, Oliveira procurou um pastor da igreja, Anderson Barbosa, para pedir conselhos. Barbosa testemunhou que tentou tirar Oliveira deste relacionamento. “Eu disse a ele que ela não era a única garota no mundo”, contou Barbosa, que também revelou que Oliveira, apesar de professar seu cristianismo, não foi a nenhum dos cultos na igreja.

No dia em que Jackeline morreu, Oliveira deu carona a ela para se encontrar com um amigo dela, confirmaram os advogados das duas partes. Mais tarde, voltou para a casa deste amigo e olhou pela janela, quando viu Jackeline e o rapaz juntos.

O réu a confrontou sobre isto mais tarde em seu apartamento em Deerfield Beach, depois a matou quando ela insistiu que o relacionamento entre eles estava acabado. “Ele a matou porque não pôde controlá-la”, afirmou Ribas. “Era um homem de 35 anos de idade exercendo controle sobre uma garota de 17 anos. Ele perdeu o direito de andar livre na sociedade.”

A juíza Holmes concordou.

“Ele tem de colher o que plantou”, disse. “Tenho de fazer justiça. Não há um fator mitigador que me permita fazer outra coisa que não seja condená-lo à prisão perpétua.”

Do lado de fora da sala, o pai de Jackeline de Melo, Joaquim Melo, disse ter ficado satisfeito com a sentença. “Ele teve o que merecia”, afirmou Melo. “Espero que apodreça na prisão.”