Brasileiro criador do Instagram quase desistiu de morar nos EUA por dificuldades com visto

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Mike Krieger é um dos fundadores do Instagram, o hiper-popular aplicativo de compartilhamento de fotos

Brasileiro criador do Instagram quase desistiu de morar nos EUA por dificuldades com visto

Mike Krieger é um dos fundadores do Instagram, o hiper-popular aplicativo de compartilhamento de fotos, comprado por $1 bilhão pelo Facebook em 2012. Mas, por causa de uma falha na lei imigratória americana, Krieger quase teve de deixar a companhia antes mesmo que a Instagram desenvolvesse o seu primeiro produto em 2010.

Krieger é brasileiro, de São Paulo. Segundo a Bloomberg, ele considerou seriamente sugerir aos sócios que encontrassem um substituto em 2010, porque não conseguiu o visto H-1B, necessário para que estrangeiros com alta qualificação possam trabalhar nos Estados Unidos.

“Chegou ao ponto de começarem as conversas”, disse Krieger ao Bloomberg. “Houve momentos em que eu pensava ‘é melhor falar para o Kevin `Systrom, co-fundador e CEO do Instagram` esquecer tudo e procurar alguém mais fácil para contratar.’”

O processo durou mais de três meses. Para fins de comparação, o desenvolvimento da primeira versão do aplicativo que viria a tornar-se o Instagram levou poucas semanas.

O caso de Krieger é um problema comum entre os imigrantes que buscam trabalhar legalmente nos EUA. A demanda pelo H-1B excede em muito o número de vistos disponíveis anualmente, e somente uma parte dos imigrantes qualificados são aprovados para trabalhar legalmente. Geralmente, o resultado envolve uma espécie de loteria onde apenas alguns selecionados conseguem o visto, por pura sorte e oportunidade.

Este ano, por exemplo, o departamento de imigração (USCIS) suspendeu o recebimento de formulários para o visto apenas sete dias depois da abertura para as inscrições dos qualificados, tudo por causa do número monunental de pedidos. Dois anos atrás, esse período foi ainda mais curto – apenas cinco dias.

O assunto tem gerado debate político. Alguns defendem que os imigrantes estão tirando o postos de trabalho dos americanos, enquanto que outros argumentam que simplesmente não há americanos qualificados em número suficiente para suprir a demanda, especialmente nas vagas em áreas de alta tecnologia, engenharia de software e programação, que são as mais preenchidas pelos imigrantes.

Para Krieger, este é um sistema que exige reforma urgente, porque ele acredita que os imigrantes ajudam os EUA. “A economia americana realmente se beneficia com a entrada das pessoas certas no país. Algumas delas vão gerar empregos; outras vão simplesmente realizar muito bem o seu trabalho,” disse o brasileiro em recente entrevista.