Brasileiro é morto pela polícia em Massachusetts

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André Luís de Castro Martins não teria parado em blitz e foi atingido por três tiros

O paranaense André Luís de Castro Martins, de 25 anos, que trabalhava como jardineiro na região de Hyannis, em Cape Cod (Massachusetts), foi morto na madrugada de domingo pela polícia local. Segundo a corporação, André estava dirigindo um automóvel e não teria obedecido a ordem de parar numa blitz rotineira de trânsito. Ele estava com a companheira, Camila Miranda Campos, que nada sofreu. O brasileiro vivia há cerca de sete anos nos Estados Unidos e tinha dois filhos – de dois e seis anos.
O incidente aconteceu numa rua residencial da pacata cidade de Yarmouth, vizinha a Hyannis e a menos de duas milhas da casa de André. De acordo com o boletim de ocorrência, ele furou o bloqueio da polícia, o que deflagrou a perseguição que teria durado apenas 90 segundos, até a batida entre o carro do brasileiro e a viatura. Testemunhas informaram que os cerca de três tiros foram disparados neste momento, por volta de 1:10 am de domingo. André chegou a ser levado para o Cape Cod Hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Seu corpo deve ser levado para Tapejara, no Paraná, para ser enterrado na cidade onde vive boa parte da família.
Camila, por sua vez, foi algemada e levada para a delegacia. Já em liberdade, ela contou sua versão para os fatos: “Ele não portava drogas nem armas, e não teve nem tempo de se defender. O policial atirou à queima-roupa”, acrescentou a brasileira. Ela disse que vive há 18 anos na América e estava planejando casar-se com André, com quem já tinha dois filhos. Camila, que trabalha em um consultório médico, disse ainda que vai processar o Estado de Massachusetts pela morte de André.
Familiares e colegas da vítima contaram que André não tinha carteira de motorista e recebeu, recentemente, multas por excesso de velocidade. “Talvez por isso ele tenha evitado parar na blitz, mas não era motivo para que o policial atirasse”, lamentou um amigo, que preferiu não se identificar.
“Este tipo de violência é comum no Brasil, mas aqui nós não esperávamos passar por isso, pois a população confia na polícia”, disse a empresária brasileira Branca Neves, que mora em Hyannis. Ela acrescentou que a comunidade está chocada com o que aconteceu, pois André era uma pessoa boa, que jamais se envolveu com problemas maiores. Ele também fazia alguns servic;os como pintor e já havia trabalhado numa loja de conveniência, em um posto de gasolina.
O pai de André, Luiz Carlos, policial da reserva e que vivia até bem pouco tempo nos EUA, disse que o filho era um trabalhador, e que pode ter ficado com medo de parar porque estava irregular no país. “O policial americano deveria ter atirado no pneu. O carro você recupera, a vida não”, afirmou emocionado, lembrando que a morte do brasileiro pode servir de lição para o país. “Os imigrantes são esquecidos”