Brasileiro é preso ao entrar nos EUA

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Rapaz mentiu para os agentes da imigração no Aeroporto Internacional de Miami e foi levado para uma prisão federal

Por: Antonio Tozzi

Creidison Damacena é um rapaz simples de Resplendor, interior de Minas Gerais. Mal orientado, chegou ao Aeroporto Internacional de Miami, após ter obtido o visto de turista num consulado americano nos Brasil. Tudo corria dentro da normalidade quando a agente de imigração perguntou se ele havia morado anteriormente nos EUA. A resposta dele foi negativa. Aí, começou o seu pesadelo.

Deixemos que ele próprio narre o que aconteceu no dia 17 de abril, às 6h30 da manhã:

“Desembarquei, passei pelo check in, e eles me perguntaram para onde eu estava indo. Disse que ia para Orlando, pois tinha reserva para dois dias lá e depois seguiria pra Randolph, em Massachusetts, onde iria ficar por quatro dias. Em seguida, disse que voltaria para Orlando e dali iria embora. Ela disse boa viagem e me liberou. Estava tudo bem, peguei minha mala e fui para a alfândega. Chegando lá, ela me perguntou se já havia estado aqui nos EUA antes e respondi que não. Ela disse que estava tudo bem e mandou seguir os pontos vermelhos”.

A partir daí, Creidison viu sua situação se complicar, conforme continua a contar: “Quando cheguei ao local percebi que eles checavam as malas, e me perguntaram quem tinha feito minha mala. Disse que havia sido minha mãe. Nesse momento, pegaram meu passaporte e foram checar. Passaram-se alguns minutos e eles descobriram que eu tinha uma saída em Boston em 2010. Daí, fui direto para uma sala da imigração, onde fiquei das 6h30 às 7 horas da noite. Acho que já era bem de noite e nesse período em que permaneci lá só me deram comida uma vez, me serviram um copo de sopa por volta das 4h30 da tarde. Fiquei lá mais um tempo até que me chamaram à sala e me disseram que estava sendo preso e seria levado para o presídio federal”.

Ajuda de amigos e do consulado

Durante esse tempo todo, ninguém sabia do paradeiro de Creidison. Então um irmão dele que mora em Weymouth, no estado de Massachusetts, ligou para Genário Vitória, aqui em Boca Raton pedindo para ajudar com informações e pedindo um advogado de imigração pois já era 4h30 da tarde e ele não tinha notícias dele.

Nessa hora, uma amiga dele que é americana e mora em Massachusetts recebeu uma ligação de uma agente de imigração dizendo que ele estava preso na sala de imigração do aeroporto em Miami. Quando a moça quis saber mais sobre o caso, a agente respondeu que ela não era nenhuma pessoa da família, portanto não poderia passar nenhuma informação, mas ele iria ser deportado.

Aí, Genário e a mulher Osilene (irmã de criação de Creidison) decidiram agir. Procuraram um advogado de imigração e pediram para ele ir em busca de informações sobre o caso. “Ligamos também para o Consulado Geral do Brasil em Miami, para o setor que ajuda os brasileiros na área de imigração”, disse Osilene.

No dia seguinte, o vice-cônsul Leonardo Bittar de Faria tranquilizou a todos e ligou para o Setor de Imigração do Aeroporto em Miami, porque a família ainda não tinha nenhuma notícia sobre Creidison. “Fizemos uma visita e descobrimos que ele está detido em uma prisão federal em Miami e foi indicada para representá-lo Vanessa, uma defensora pública braso-americana. Infelizmente, este tipo de caso vem ocorrendo com frequência. Os brasileiros chegam aqui e dizem que nunca estiveram antes nos EUA. Aí, eles cruzam as informações e constatam que as pessoas mentiram. Então configura-se uma fraude, um delito que é tipificado como crime federal. Nosso conselho é para que os brasileiros não mintam na entrevista de entrada nos EUA”, alertou Leonardo.

Por seu lado, o Serviço de Imigração forneceu informações desencontradas. O irmão dele Acemar Damacena e uma amiga da família foram à polícia para registrar o desaparecimento de Creidison e a polícia de Massachusetts ligou para a Imigração no aeroporto de Miami.
“O agente disse que ele tinha sido deportado, aí começamos a procurá-lo também no Brasil, angustiados, porque não tínhamos informações sobre o paradeiro dele há 48 horas e para ter qualquer informação na Polícia Federal é preciso ir pessoalmente. Mais uma vez o consulado brasileiro nos ajudou, comprovando que ele não havia retornado ao Brasil”, contou Osilene

Ele tem uma filha aqui nos EUA

Após três dias agitados, eles puderam ficar mais tranquilos ao saber pelo vice-cônsul Leonardo que Creidison na verdade está numa prisão federal em Miami (BOP: Federal Bureau of Prisons).

A principal preocupação dos familiares e amigos é o fato dele ter morado aqui nos EUA por seis anos, depois de ter entrado pelo México. “Ele se casou com uma americana em Massachusetts e o casal teve uma filha, de quase seis anos de idade”, disse Osiliene.

Entretanto, o casamento não deu certo e ele voltou para o Brasil, onde morou por um período. Neste meio tempo, a mãe da menina foi presa por causa de problemas com a Justiça e perdeu a guarda da criança. Creidison é, portanto, o único guardião legal da filha, que no momento está sob responsabilidade das assistentes sociais do estado de Massachusetts. Ou seja, a justiça dos EUA pode dar a guarda da filha a ele em vez de colocar a menina para adoção.

Atualmente, Creidison está aguardando o julgamento da justiça para saber como ficará sua situação aqui nos EUA. Ele já compareceu a duas audiências, onde se declarou não culpado, e terá uma terceira audiência, ainda sem data marcada.

Segundo o advogado de Imigração, Eduardo Cienfuegos, contratado por Genário e Osilene, ele deverá ser encaminhado para a detenção do Krome, em Miami Dade. Como é pai de uma criança americana, pode ser que o advogado consiga que Creidison permaneça no país, desta vez de maneira legal.

Depois de ter passado por momentos de tensão no aeroporto, Creidison disse que está bem acomodado na prisão federal, apesar da dificuldade para se comunicar com as pessoas.

Creidison agora está esperando a decisão da justiça para saber qual será seu destino. Se ficará aqui ou voltará para o Brasil. Mas fica uma lição para os brasileiros quando estiverem entrando nos EUA e já viveram aqui anteriormente. Nunca mintam porque as autoridades federais têm todos os dados e podem checar as informações na hora. Não acreditem em conselhos de pessoas que já usaram este expediente anteriormente, porque agora o Serviço de Imigração e os demais órgãos federais possuem um banco de dados completo e atualizado.