Brasileiro invade casa e vive numa boa em Boca Raton

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Rapaz usou um recurso jurídico para morar de graça em uma mansão num bairro privilegiado da cidade

Brasileiro vive numa boa em Boca Raton
André Barbosa está ocupando a residência amparado pela ‘adverse possession’
que lhe garante a permanência legal no imóvel ao lado

André Barbosa está vivendo bem. O rapaz de 23 anos mudou-se para uma mansão desocupada, avaliada em $2.5 milhões, numa vizinhança nobre de Boca Raton, usando uma pouco conhecida lei imobiliária do estado da Flórida que permite tomar posse de uma propriedade que esteja em foreclosure.

A polícia não pode tirá-lo de lá porque ninguém o viu invadir a casa de cinco quartos. E o real proprietário do imóvel, o Bank of America, não está respondendo às perguntas sobre a casa.

“Isto é algo ultrajante”, disse a vizinha Lyn Houston. Semana passada, fui ao Bank of America e pedi pelo responsável pelos financiamentos. Disse a eles que estava disposta a comprar a casa e eles nem me ligaram de volta.

Barbosa refere-se como Loki Boy, o deus nórdico da malandragem, e chama sua casa de Templo de Kamisamar.

O corretor de imóveis Gary Singer disse que Barbosa evocou uma lei estadual, chamada de “adverse possession”, que permite a alguém mudar-se para a propriedade e reivindicar o título, se permanecer lá por sete anos. Uma cópia assinada desta notificação está afixada na janela de frente da casa.

Brasileiro vive numa boa em Boca Raton

Este é o bem mais valioso a ser pego usando a “adverse possession” no condado de Palm Beach. Depois que o Bank of America foreclosed a propriedade em julho, Barbosa notificou o gabinete do Avaliador de Propriedades do condado que ele estava mudando-se para lá.

A polícia foi chamada um dia depois do Natal, mas o brasileiro apresentou a notificação e eles não puderam fazer nada contra ele.
Mansão vale US2.5 milhões

A vizinha disse que a casa está vazia há um ano e meio. Os dados da propriedade mostram que ela foi vendida em 2005 por $3.1 milhões, enquanto o título revela que ela está avaliada em $2.5 milhões e a lista do avaliador do estado coloca a mansão de 7,5 mil pés quadrados em $2.1 milhões. A propriedade possui vista para o canal, interiores luxuosos, banheiros de mármore e escadas curvas.

O corretor de imóveis disse que esta lei vem do tempo das fazendas, “mas as pessoas não podem invadir o imóvel e se esconder lá dentro”. Algumas pessoas recorrem a este artifício para poder ter um teto, geralmente em bairros de classe média ou baixa. Singer, no entanto, não condena Barbosa e ainda usa de ironia: “Se você vai fazer uma coisa desta, vale a pena pensar grande”.

Normalmente, o proprietário entra com uma ação e um pedido de expulsão dos invasores, por isto poucas pessoas conseguem manter-se nos imóveis durante sete anos, pagando os impostos e os ônus, porque para se conseguir a posse formal da propriedade é necessário mantê-la em bom estado e até mesmo investir em melhorias.

Enquanto o brasileiro continua vivendo numa boa, a vizinha está em pânico sem saber o que fazer e diz temer que ele pode até mesmo entrar em sua casa. “Se ele teve coragem para invadir esta casa, quem garante que ele não poderá vir aqui?”, indaga Lyn Houston. A resposta é simples: ele não precisa de outra residência para morar. Já tem uma. E que residência!