Brasileiros discriminados em Deerfield Beach

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No Tivoli, membros da comunidade são ameaçados de expulsão por inadimplência da taxa de condomínio

A discriminação contra imigrantes, infelizmente, está virando uma rotina aqui no sul da Flórida. A má notícia, agora, vem do condomínio Tivoli, em Deerfield Beach, onde os moradores brasileiros denunciam que têm sido vítimas de preconceito. Além de falar mal da comunidade, os administradores de um residencial específico naquele empreendimento costumam ameaçar os membros de nossa comunidade que estão com os pagamentos atrasados da cota condominial. Vale lembrar que há poucos meses, numa ação semelhante, a administração do Brookfield Gardens (na 8th Street, também em Deerfield) enviou aos moradores uma carta com o claro objetivo de intimidar os indocumentados, inclusive ameaçando solicitar a presença de representantes da imigração para fiscalizar o status de cada residente

“Eles deixam claro nas reuniões que preferem a saída dos brasileiros daqui, sem se importar se as famílias serão jogadas na rua”, lamentou a brasiliense Helen Vitória, que está há 16 na América e é proprietária de uma unidade no Tivoli Trace, o único residencial no empreendimento cujos apartamentos não são de aluguel. Segundo ela, dos 184 residentes do residencial, pelo menos 35 enfrentam problemas financeiros e estão em foreclosure e, também, com os pagamentos das cotas condominiais em atraso – a maioria é composta de brasileiros. De acordo com uma lei da Flórida, após a inadimplência por três meses das responsabilidades do proprietário em relação ao condomínio, é possível a retomada e transferência do título.

Helen lembra que tem tentado negociar junto aos administradores o reescalonamento das dívidas de quem está em dificuldades, caso a caso. “Eles estão irredutíveis, exatamente porque preferem expulsar os brasileiros. Ninguém quer ficar inadimplente, mas com a economia do jeito que está, muita gente perdeu o emprego”, acrescenta Helen. Ela confirma que o tratamento dispensado aos nossos conterrâneos e latinos em geral é bem diferente do que recebem os americanos.

Outro brasileiro que mora no Tivoli Trace é o artista plástico Nelson Ribeiro. Depois de uma reviravolta em sua vida, ele deixou de pagar o mortgage e a cota condominial, mas aos poucos tem conseguido reestruturar suas dívidas. “O curioso é que o banco, com quem tenho uma dívida muito maior, tive chance de apresentar um novo plano de pagamento, dentro da realidade atual”, ressalta. Os dois brasileiros disseram ainda que o presidente do conselho diretor do condomínio, identificado como Robert Ranta, costuma dizer que os brasileiros “só trazem problema para a comunidade”. Ele não foi encontrado para dar explicações.

O especialista em mercado imobiliário Joe Souza, da MSG Mortgage, confirmou que esta lei existe, mas aconselhou que os brasileiros precisam conhecer melhor seus direitos. “É verdade que o condomínio pode transferir o título do proprietário por falta de pagamento da cota, mas a unidade teria que ser negociada diretamente com o banco (ou o principal credor). Com a desvalorização dos imóveis, o condomínio não teria interesse em adquirir estes apartamentos, pois o saldo devedor é grande”, explicou. Para Joe, a intenção dos administradores é justamente assustar os brasileiros.

Evento vai arrecadar dinheiro

Helen e Nelson pretendem organizar um evento em maio ou junho para ajudar os moradores do Tivoli que estão com problemas financeiros. O objetivo é reunir músicos e artistas para uma apresentação única no Quiet Waters, com a renda dos ingressos revertida para os necessitados. O projeto ainda está embrionário, mas os dois querem se associar a alguém que tenha experiência em grandes eventos.
“Dependendo da participação da comunidade, a ajuda poderia ser ampliada para outros brasileiros aqui do sul da Flórida”, acredita Helen, torcendo para que a comunidade confirme sua solidariedade. Para falar com a dupla, os interessados devem entrar em contato pelos telefones (561) 502-5304, com Helen, e (954) 663-1985, com Nelson.