Brasileiros passam férias (e gastam!) em Miami

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Comércio do sul da Flórida comemora a vinda dos nossos patrícios

Reportagem do jornal Miami Herald publicada nesta terça-feira (24) volta a enfatizar a “invasão brasileira”, porque para os visitantes brasileiros julho é o melhor momento.

Apesar da atribulada economia e da debilidade da moeda no maior país da América do Sul, o apetite dos brasileiros pelas visitas ao sul da Flórida não desapareceu.

Tudo foi programado para atrair os brasileiros neste mês de julho. Desde eventos sofisticados para que comprem condomínios de luxo a percursos especiais de compras e atividades culturais, no momento de maior intensidade da temporada social brasileira – em Miami.

Até mesmo o Aeroporto Internacional de Miami está inaugurando nesta quarta-feira (25) Sem Fronteiras/Without Borders, sua nova exibição de arte brasileira, e a Vogue Brasil planeja tirar no final do mês uma edição especial de 66 páginas sobre Miami.

“Os brasileiros vêm em multidões”, disse Paulo Bacchi, dono de Artefacto, fabricante de móveis brasileiros de alta categoria com dua lojas no sul da Flórida. Ele adiou até este mês uma mostra de designer em sua loja em Coral Gables e o champagne da festa de lançamento para sua nova localidade no Aventura para aproveitar completamente a vinda das brasileiras.

“Julho é oficialmente o mês das férias em Miami”, brincou.

É comum ouvir o português com sotaque brasileiro no ar – especialmente se estiver em um lugar que tem tudo a ver com as compras.

E não são só os brasileiros que falam. “ Brasil, Brasil! Oi, tudo bem?”, gritou Johnny Deen, um vendedor da Elegance Perfumes, ao ver um grupo de adolescentes brasileiros entrar no centro comercial Sawgrass Mills.

Abrindo seus braços, fez sinal para que entrassem dentro da loja. “Sei o suficiente de português para vender”, disse Deen. Logo, uma dezena de adolescentes, todos com camisetas de seu grupo de turismo, testavam as amostras de perfume nos narizes dos outros, os cheiravam – e os compravam. Havia boas razões pela qual os vendedores estavam tão acolhedores. Os brasileiros respondem atualmente por aproximadamente 40 por cento do faturamento da loja. E isto se repete em outras lojas.

Problemas econômicos à vista

No entanto, se forem examinados os últimos indicadores econômicos, seria de esperar que o turismo do Brasil estivesse em baixa. Os problemas na Europa assim como uma menor demanda da China para as exportações de grãos de soja ou minério de ferro estão afetando o desempenho do Brasil. A moeda brasileira, o real, caiu de 1,57 real por $1 em julho do ano passado a 2 reais nesta temporada – erodindo o poder de compra dos brasileirs. E a maioria estima um crescimento econômico de apenas 2 a 2,5 por cento este ano.

“Estas notícias não chegaram aos bolsos dos brasileiros que visitam aquí”, disse Claudia Menezes, vice-presidente do operador de excursões em ônibus Pegasus Transportation, que leva os compradores brasileiros aos centros comerciais Sawgrass Mills, Bayside, Aventura e Dolphin. “Tanto no sul da Flórida como em Orlando ainda levamos ônibus y extras para carregar tudo o que eles compraram”.

William Talbert III, presidente e chefe ejecutivo do Greater Miami Visitors and Convention Bureau, disse que espera em 2012 outro ano recorde para os viajantes brasileiros. No ano passado, mais de 634 mil brasileiros visitaram a cidade e gastaram $1,345 bilhão, fazendo de Miami-Dade o principal mercado internacional dos Estados Unidos.

Há várias razões para que o sul da Flórida continue sendo um imã para os brasileiros.
Entre elas destaca-se a maior quantidade de voos. No verão passado, a American Airlines teve seis voos diarios do Brasil para Miami. Este verão, aumentou para oito e agregou em 14 de junho o serviço de uma sétima cidade brasileira, Manaus. Também pretende dividir em 15 de novembre em dois sua rota Miami-Salvador-Recife, com um servicio para cada cidad cinco veces por semana e agregar em dezembro um segundo voo diário entre Miami e Rio de Janeiro.

“No geral, o tráfego para o Brasil aumentou consideravelmente”, disse Art Torno, vice-presidente da American para México, Caribe e América Latino. “Este tem sido um grande verão até agora”.

A companhia aérea de baixo custo GOL também começou em 8 de julho viagens duas vezes por semana para Miami, e espera começar a oferecer cinco voos semanais a partir de São Paulo, via Caracas, dependendo da aprovação do Departamento de Transporte dos Estados Unidos.

A TAM, que recentemente se fundiu com am LAN do Chile, também pretende começar a usar aviões maiores em suas rotas São Paulo-Miami e Manaus-Miami, e já fez a solicitação para aumentar a frequência de seus voos entre o Brasil e a Flórida.