Brasileiros são furtados e têm quarto de hotel arrombado em Orlando

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Além de perder dinheiro e presentes, alguns tiveram os passaportes roubados e precisaram de autorização do Consulado em Miami para voltar ao Brasil

DA REDAÇÃO COM OLHAR DIRETO

ADRIANA BACELAR
Brasileiros são furtados e têm quarto de hotel arrombado em Orlando

“Depois do sonho veio o pesadelo”, lembra a brasileira Adriana Bacelar, explicando o que sentiu ao chegar ao quarto de hotel depois de uma dia de muita diversão em um dos parques temáticos de Orlando. O quarto estava todo revirado e Adriana e mais três amigas tiveram pertences, passaportes e $8 mil dólares furtados. Elas estavam hospedadas no hotel Quality Inn Sand Lake, em Orlando, e tiveram que pedir autorização de viagem ao Consulado Geral do Brasil em Miami para retornar para casa.

E o problema não foi exclusivo das brasileiras. Nathalya Bucher Hoerlle Godoy e Igor Godoy planejavam comemorar o primeiro ano de casados com uma viagem de sonhos a Orlando, porém também tiverem seus pertecentes roubados dentro do hotel, desta vez, no complexo Disney.

Eles estavam hospedados no hotel Disney All-Star Sports Resort, dentro do complexo Disney. No dia 19 de setembro, quando o casal retornava do Epcot Center, eles encontraram o quarto de hotel destruído e notaram a falta de seus pertences. “Escolhemos ficar em um hotel dentro da Disney por ser mais seguro, já que soubemos de casos de furto dentro dos hotéis em Orlando. Foi ironia do destino mesmo, porque pesquisamos muito. Quando chegamos, a porta do nosso quarto estava com problema e não fechava direito. As outras eram trancadas com um puxão simples, mas a nossa ficava só encostada, era preciso puxar com mais força. Temos certeza que ela estava trancada quando saímos de manhã porque sempre conferíamos antes de passear. Por sorte, não perdemos nossos passaportes e dinheiro, porque decidimos levá-los conosco neste dia”, conta a advogada, que teve relógios, tênis, presentes, roupas, sapatos e uma câmera fotográfica com as fotos da viagem furtados.

Ela lembra que quando voltaram dos parques encontraram a porta encostada e, ao abri-la, viram que tudo estava revirado. “Quebraram os cadeados das malas, passaram alguma coisa nos zíperes e deixaram até nossas roupas íntimas espalhadas”, lembra a advogada.
Nos dois casos, os brasileiros comunicaram o fato à gerência dos hotéis, mas não obtiveram a ajuda que esperavam.

Nathalya e Igor foram levados até uma sala reservada, distante do lobby, e aconselhados a arrumar as malas, mudar de hotel e dirigirem-se ao xerife local apenas no dia seguinte, sob a alegação de que ele não estava trabalhando naquele dia. Como compensação, Nathalya e Igor receberiam $130, valor correspondente a uma diária.

Contrariando a gerência, o casal chamou a polícia e foi surpreendido pela atitude dos funcionários do hotel, que não gostaram da ideia de ter policiais no hotel. “O gerente ficou muito nervoso e irritado e nos levou novamente para a salinha, porque a chegada da polícia causou um tumulto na recepção. Ele informou que não havia câmeras nos corredores e nem perto do nosso quarto. No máximo, eles poderiam analisar o sistema da porta, para verificar quem foi a última pessoa a entrar”, disse a advogada que planeja processar o complexo Disney no valor de $3 mil.

Pesadelo
A paulista técnica em enfermagem, Adriana Bacelar, passou por algo semelhante. No dia 15 de setembro, no hotel Quality Inn Sand Lake, em Orlando, onde dividia quarto com a irmã e mais duas amigas. Ao voltar de um dos parques da Disney, por volta das 10pm elas perceberam, ainda no estacionamento do hotel, que a janela e a cortina do quarto, que ficava no andar térreo, estavam abertas. Do lado de fora, viram que o quarto e as malas tinham sido reviradas.

“Levaram duas malas cheias de pertences nossos, incluindo compras feitas há poucos dias, os quatro passaportes, cartões e dinheiro. O cofre também estava arrombado e sem os $8 mil dólares que estavam guardados lá. Soubemos que o quarto de um grupo de equatorianos também foi invadido no mesmo dia, mas não roubaram nada”, lembra.

Adriana e as amigas queriam voltar imediatamente para o Brasil, mas não foi possível. “Nos informaram que teríamos que pagar uma taxa de $600 (R$1300 reais cada uma) para transferir as passagens. Isso era impossível para nós. Então resolvemos ficar até o dia de embarque, marcado para o dia 18 de setembro”, conta a técnica de enfermagem, lembrando que essa foi a primeira vez que o grupo foi a Orlando. “Esta viagem estava sendo programada há mais de um ano. Era nosso sonho comemorar meu aniversário na Disney. Quero voltar um dia, pois queríamos muito ir à Universal Studios, mas roubaram os ingressos”, lamenta.

As brasileiras foram aconselhadas pelos policiais a ir até o Consulado Geral do Brasil em Miami para pegar uma autorização para voltar ao Brasil, já que estavam sem passaporte. “Achávamos que o hotel daria todo o suporte, mas nenhum funcionário ficou por perto enquanto a polícia estava lá. Uma funcionária que falava português muito bem nos disse que a responsabilidade era toda nossa, que o nosso era o primeiro caso do tipo e que nenhum funcionário dela faria algo do tipo. No dia seguinte, quando iríamos ao consulado, ela informou que não poderia ajudar em nada e nos deu apenas $100 para pagar a gasolina até Miami”, lembra.

De acordo com o Consulado-Geral do Brasil em Miami, até momento foram relatados 223 casos de furto, sendo 26% em Orlando. Para comparar, em 2012 houve 117 casos, e, em 2013, 224 ocorrências.

Hotel afirma que está investigando o caso
A gerência do Hotel Quality Inn Sand Lake confirmou o roubo e afirmou que o caso está sendo investigado pela polícia local. “Impressões digitais foram tiradas e há um detetive que estamos contactando desde o dia do ocorrido”, informou o gerente, que preferiu não ter o nome publicado.

Ele afirmou ainda que nos últimos dois anos esse teria sido o único caso ocorrido no hotel. “Nós estamos cooperando com a polícia, que aliás já tentou falar com as clientes brasileiras por email, mas não conseguiu nenhum retorno”, disse, lembrando que investigações são demoradas.

Quanto ao Disney All-Star Sports Resort, a assessoria de imprensa informou que está tomando as providências cabíveis e que avisou aos hóspedes sobre o problema para que o cuidado seja redobrado.

A sargento Lovetta Quinn-Henry, relações públicas da polícia de Orlando, afirmou que o departamento trabalha em conjunto com as gerências de hotéis da cidade em casos como estes e negou que os brasileiros estariam sendo alvo de ladrões na cidade. “Isso acontece com turistas de qualquer nacionalidade”, disse, que aconselha os turistas a não levarem grandes quantias em dinheiro durante a viagem.

Quinn-Henry disse ainda que em caso de ser vítima de algum crime, o turista deve comunicar imediatamente à polícia e à gerência do hotel. Outra dica é não deixar objetos de valor visíveis dentro do carro. De acordo com a relações públicas não há uma pesquisa específica sobre roubos em hotéis, mas segundo a sargento a criminalidade em Orlando no primeiro semestre de 2014 é menor do que no mesmo período de 2013.