Brasília continua fervendo

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Possibilidade de favorecimento e pedido de impeachment no STF esquentam a crise

Depois das prisões do banqueiro Daniel Dantas, que agitaram o Judiciário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mobilizou a cúpula do Executivo, reunindo ministros da Coordenação Política, logo após chegar de longa viagem à Ásia. Na conversa, porém, o governo tratou de qualificar o telefonema entre o chefe de gabinete da presidência, Gilberto Carvalho, e o ex-deputado do PT Luiz Eduardo Greenhalgh, apontado como assessor de Dantas, apenas de bate-papo entre amigos, sem qualquer favorecimento a uma das partes.

A Comissão de Ética Pública, vinculada à Presidência da República, deve examinar as denúncias de envolvimento de Gilberto Carvalho no suposto vazamento de dados da Operação Satiagraha. Na Câmara, também deverá haver investigação. O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), apresenta hoje requerimentos pedindo a convocação do delegado Protógenes Queiroz, que comanda o inquérito da Operação Satiagraha, e do juiz Fausto Martin de Santis, da 6ª Vara Criminal Federal, responsável pelos pedidos de prisão de Dantas.

No meio de uma crise no Judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou que “não tem cabimento” a intenção de procuradores da República de pedir seu impeachment (afastamento do cargo) por “crime de responsabilidade”. Mendes disse que o ministro da Justiça, Tarso Genro, “não tem competência para opinar” sobre a atuação do tribunal no caso Daniel Dantas. O presidente do STF concedeu dois habeas corpus para a libertação do banqueiro.