Brazilian Voices se apresenta em clínica de Fort Lauderdale, no projeto ‘Arts & Health Care’

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A mais recente apresentação do coral de brasileiras Brazilian Voices não foi em um teatro lotado e tampouco para o tipo de platéia que normalmente freqüenta os espetáculos do grupo. A apresentação, na verdade o lançamento do projeto Arts & Health Care, aconteceu numa clínica em Fort Lauderdale, Gilda’s Club, que atende a pessoas (pacientes e seus familiares) envolvidas com o câncer, para palestras e sessões de ioga e meditação. O programa, criado com a missão de servir de apoio no processo de recuperação de doentes internados em clínicas, hospitais e casas de saúde do sul da Flórida, usa a música como forma de terapia e alívio da dor – física e mental.

“Foi emocionante a forma como nos acolheram e entenderam o nosso propósito de levar esperança e carinho a cada um deles”, descreveu Marpessa Demoraes, integrante do Brazilian Voices e uma das idealizadoras do projeto, ao lembrar da apresentação do dia 19 de março. Com o sentimento do dever cumprido, ela ressaltou que um dos pacientes não parou de sorrir um minuto sequer durante as canções e depois fez questão de cumprimentar as cantoras: “A vibração da música e a energia que senti em meu corpo, não tenho dúvidas, ajudam a curar. Vocês realmente nos transmitiram muita paz e alegria”, disse.

A apresentação durou apenas meia hora, mas foi capaz de tocar intensamente o coração de cada um dos presentes à recepção da clínica improvisada de palco, inclusive o das próprias integrantes do grupo. “Iniciativas como esta ajudam a revelar o melhor de cada uma de nós e a valorizar ainda mais o mundo à nossa volta”, resumiu Marize Casaes, outra das mentoras do ‘Arts & Health Care’. O projeto foi colocado em prática graças a uma parceria com o Broward Center for the Performing Arts, para atingir aquelas pessoas que, pelas limitações impostas por doenças, normalmente não podem acompanhar esses tipos de shows.

O repertório incluiu nove músicas brasileiras, entre elas ‘Aquarela do Brasil’, ‘Samba de Uma Nota Só’ e ‘Flor de Lis’. Isto, aliás, foi um dos fatores interessantes destacados por Bonnie Repetti, coordenadora de programação do Broward Center: “Como as canções foram cantadas em português, os ouvintes, americanos, puderam sentir a música numa outra dimensão”, explicou. Ela fez questão de enviar uma mensagem às cantoras do Brazilian Voices, ressaltando que todos os comentários naquela noite foram positivos.

A próxima apresentação já tem hora e data marcadas: vai ser lá mesmo no Gilda’s Club, no dia 10 de abril, durante um encontro que vai reunir também os voluntários que ajudam a organizar as atividades da clínica.

Clarice Burg: a prova viva do milagre da música

Dentre as 12 cantoras que participaram da apresentação do último dia 19 no Gilda’s Club, uma teve motivos de sobra para se emocionar além da conta. A gaúcha Clarice Burg vive há cinco anos nos Estados Unidos e está de viagem marcada para o Brasil na primeira semana de abril. A apresentação no Gilda’s foi, provavelmente, uma das últimas performances com as amigas do Brazilian Voices. Além disso, Clarice é o que a classe médica chama de ‘sobrevivente do câncer’, pois conviveu com a doença nos últimos 20 anos.

“Realmente, a apresentação teve essa carga de emoção adicional. Mas o importante foi perceber como o projeto do grupo pode ajudar muitos pacientes a enfrentar a doença de uma forma mais positiva”, conta Clarice. Apesar de muito feliz aqui, ela planejou o retorno ao Brasil para acompanhar o crescimento de seu primeiro neto, Rafael, recém-nascido.

O drama da gaúcha começou em 1987, quando foi diagnostica pela primeira vez com câncer. De lá para cá, ela teve quatro recidivas (reincidências da doença) e passou por tratamentos intensos, como quimioterapia e radioterapia, e até uma mastectomia (cirurgia de remoção completa da mama). “Sempre superei os problemas com otimismo, até porque ainda tenho muita coisa ainda a viver neste mundo”, ensina Clarice.

A atitude certamente ajudou, mas a brasileira destaca que a música foi fundamental na sua recuperação, principalmente quando o câncer produziu metástases nos ossos, em 2006. “As canções e o carinho das minhas amigas do Brazilian Voices salvaram a minha vida. Por isso, posso atestar que o projeto dará resultado com outras pessoas”, confirma Clarice.

Ela lembra que muitas vezes não tinha condições de comparecer aos ensaios em virtude das dores, mas as outras integrantes do grupo faziam questão de buscá-la em casa. “Isso teve um efeito incrível nas minhas células, tenho certeza. Por isso estou com o coração apertado de voltar para o Brasil, mas quero que o meu neto conheça a história da avó bem de perto”, diz Clarice.

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