Bush assina acordo nuclear histórico com a Índia

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O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou na segunda-feira uma nova era de cooperação estratégica com a Índia, ao assinar uma lei que é um grande passo para que Nova Délhi compre reatores nucleares e combustível norte-americanos pela primeira vez em 30 anos.

Ainda são necessárias três outras aprovações — do Grupo de Fornecedores Nucleares, da Agência Internacional de Energia Atômica e do Congresso norte-americano — para que as transferências nucleares dos EUA para a Índia possam se concretizar.

Mas alguns analistas dizem que o maior entrave já foi superado, a aprovação inicial no Congresso dos EUA obtida no dia 9.

“O relacionamento entre os Estados Unidos e a Índia nunca foi tão vital, e essa medida nos ajudará a cumprir os desafios de energia e segurança do século 21”, disse Bush na cerimônia de assinatura da lei, que contou com integrantes do Congresso, da comunidade indiana e de negócios.

“Os EUA e a Índia são parceiros naturais. As rivalidades que no passado mantiveram nossas nações distantes não existem mais”, disse Bush.

“A Índia é um importante aliado na guerra contra extremistas e radicais”, acrescentou ele.

Mas há quem considere a medida um erro histórico, por prejudicar os esforços norte-americanos para conter a disseminação das armas nucleares e por alimentar uma corrida armamentista com os rivais nucleares da Índia, a China e o Paquistão.

O governo Bush e seus aliados insistem, porém, que o comércio nuclear civil para ampliar a geração de energia na Índia criará várias novas ligações com o país emergente e abrirá oportunidades de negócios de bilhões de dólares para empresas norte-americanas.

O acordo muda radicalmente uma política que prevaleceu por 30 anos nos EUA, que se opunham à cooperação nuclear com a Índia porque o país havia desenvolvido armas atômicas, contrariando padrões internacionais, além de não ter assinado o Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

Um lobby multimilionário da Índia na Câmara de Comércio dos EUA conseguiu evitar que o Congresso acrescentasse à medida exigências de não-proliferação que desagradassem a Nova Délhi.

Mas os patrocinadores da lei no Congresso afirmam que ela inclui sim algumas exigências, como determinar que os EUA interrompam todas as exportações e reexportações de material nuclear para a Índia se o país testar uma outra arma atômica.

Especialistas dizem que a Índia já produziu cerca de 50 armas nucleares e que pretende chegar a 400 em uma década. Muitos temem que, vendendo combustível para uso na energia civil, os estoques de urânio indianos sejam liberados para a utilização em armamentos.

Pelo acordo, a Índia permitirá inspeções internacionais em 14 instalações nucleares civis, mas oito instalações militares ficarão de fora da fiscalização.

Mas, para que a cooperação possa começar, o Grupo de Fornecedores Nucleares precisa mudar suas regras, a Índia precisa fechar um plano de inspeção com a AIEA e o Congresso dos EUA tem de aprovar os detalhes técnicos do comércio nuclear.

Uma autoridade norte-americana disse que o governo pretende concluir os acordos com o Grupo de Fornecedores Nucleares e com o Congresso em seis meses.