Bush deixa o país sem discutir redução da tarifa sobre álcool brasileiro

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O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deixou o país às 18h39 desta sexta-feira. Ele deixou o aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, a bordo do AirForce One com destino ao Uruguai, onde dá continuidade ao seu programa de viagem pela região.

Bush toca instrumento durante visita à ONG Meninos do Morumbi

Bush não atendeu à principal reivindicação brasileira aos EUA: a redução da tarifa cobrada sobre o álcool exportada ao mercado norte-americano.

“Isso não vai acontecer `reduzir a tarifa`. Ela permanecerá até 2009 e depois disso o Congresso dará um jeito”, respondeu ele ao ser questionado se havia sido convencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a derrubar a sobretaxa

Os EUA cobram hoje uma taxa de 0,54 centavos de dólar por galão sobre o álcool vendido pelo Brasil, além de 2,5% de impostos alfandegários. Os produtores brasileiros querem derrubar a tarifa para ampliar as exportações para os EUA com o barateamento do custo do álcool.

Dançarinos se apresentam para Bush na ONG Meninos do Morumbi

Apesar da negativa do americano, Lula disse que o assunto ainda depende de muita negociação entre os dois países. “Seu eu tivesse capacidade de persuasão, eu já teria convencido Bush a tantas outras coisas que não posso nem falar”, brincou ele. “Não acho que um país vai abrir mão das coisas que protegem seu comércio porque um outro está pedindo. Esse é um processo de convencimento, de muita conversa e vai chegar um dia que essa conversa vai amadurecer e chegar num denominador comum que vai permitir um acordo”, afirmou o brasileiro.

Nas menos de 24 horas que passou no Brasil, Bush visitou nesta manhã um terminal da Transpetro, em Guarulhos. Depois retornou para o Hilton Morumbi, onde almoçou com Lula. De lá, ele seguiu para a ONG Meninos do Morumbi, na zona sul de São Paulo.

Memorando

De manhã, Bush e Lula assinaram um memorando de cooperação tecnológica entre os dois países para a produção de biocombustíveis, como o álcool e o biodiesel.

Jason Reed/Reuters

Bush arrisca tocar instrumento na ONG Meninos do Morumbi, em SP
Pelo memorando, os dois países se comprometem a avançar na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia para biocombustíveis. EUA e Brasil também se comprometem a trabalhar em conjunto para levar os benefícios dos biocombustíveis para outros países, principalmente os vizinhos dos norte-americanos.

Bush afirmou que os investimentos em biocombustíveis são considerados como questão de segurança nacional para os EUA, que pretendem reduzir a dependência internacional do petróleo. “As pessoas se perguntam por quê o presidente dos EUA está interessado em diversificar as fontes de energia. Uma das razões é que se dependemos de petróleo, que vem de fora, temos uma questão de segurança nacional.”

“Nossa dependência do combustível de outra pessoa significa que estamos dependente de suas decisões. Queremos diversificar, sair do petróleo”, afirmou.

Ele afirmou ainda que os EUA vão investir US$ 1,6 bilhão no prazo de 10 anos em pesquisas adicionais para que possam ter fontes alternativas de energia. “Já investimos US$ 12 bilhões em novas tecnologias que vão permitir alcançar independência econômica e um ambiente de melhor qualidade. Espero que possamos fazer isso juntos. Aprecio o fato de Brasil e EUA desenvolverem juntos essas pesquisas”, disse ele se referindo a Lula.

O presidente brasileiro, por sua vez, afirmou que o acordo fechado entre os dois países ajudará a democratizar o acesso aos biocombustíveis e a ter um mundo menos poluído no futuro. “A estreita associação e cooperação entre os dois líderes da produção de etanol possibilitará a democratização do acesso à energia. O uso crescente de biocombustíveis será uma contribuição inestimável para a geração de renda, inclusão social e redução da pobreza em muitos países pobres do mundo.”

Segundo Bush, o plano dos EUA é reduzir em 20%, num prazo de 10 anos, o consumo de gasolina. O norte-americano afirmou que os EUA devem elevar de 5 bilhões de galões por ano para 35 bilhões o consumo de biocombustíveis, como o álcool.

“Quero passar para 35 bilhões de galões de biocombustíveis até 2017. É sete vezes mais do que estamos usando agora: 5 bilhões de galões de álcool. Isso é muito importante para nosso país e para nosso compromisso de nos tornarmos menos dependente do petróleo e trabalharmos pelo ambiente”, disse.

O americano elogiou os avanços do Brasil no desenvolvimento de tecnologia e produção de biocombustíveis. “Aprecio o fato da energia vir da cana-de-açúcar, que dá ao Brasil grande vantagem. Aprecio a inovação que está acontecendo no Brasil. Vocês são os líderes no álcool. Acredito que vocês continuarão a descobrir novas tecnologias que serão úteis para outras pessoas.”