Bush entrega medalha a B.B. King e a ex-dissidente soviético

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O ídolo do blues B.B. King, 81, que acaba de voltar de uma turnê no Brasil, o ex-dissidente soviético Natan Sharansky e o historiador David McCullough estavam entre os agraciados na sexta-feira com a Medalha da Liberdade, entregue pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Bush elogiou King por ter superado sua infância difícil no sul do país e se transformado em um dos maiores guitarristas e cantores de blues do mundo. King morava sozinho quando tinha 9 anos, e colhia algodão ganhando 35 centavos de dólar por dia, lembrou Bush.

“Já se disse que, quando perguntaram a John Lennon qual era sua grande ambição, ele disse: ‘Tocar guitarra como B.B. King”‘, disse Bush. “Muitos músicos tiveram essa mesma meta, mas ninguém jamais conseguiu igualar sua habilidade, ou copiar o som do Rei do Blues.”

A Medalha da Liberdade é o maior prêmio dos Estados Unidos para civis.

Numa cerimônia na Casa Branca, Bush também elogiou Sharansky — dizem que seus escritos sobre a democracia influenciaram o presidente –, chamando-o de uma pessoa que levou uma “vida de coragem e convicção”. Sharansky nasceu na Ucrânia, numa família judaica, e foi acusado de traição pelos soviéticos, ficando dez anos preso. Mais tarde, ele emigrou para Israel, onde se tornou uma figura política de projeção por suas opiniões contundentes.

Acredita-se que Bush tenha se inspirado, em sua agenda para disseminar a democracia no Oriente Médio, no livro “The Case for Democracy”, de Sharansky, que argumenta que sociedades livres são cruciais para a estabilidade internacional. O presidente chegou a convidar Sharansky para uma reunião, pouco depois de ser reeleito, em 2004.

“Natan nos faz lembrar que todo mundo tem em si o desejo de viver em liberdade, e que a liberdade tem um poder singular para levantar países, transformar regiões e garantir um futuro para a paz”, disse Bush.

O presidente também vem demonstrando ultimamente interesse nas biografias de presidentes do passado, especialmente na de Harry Truman, cujo combate ao comunismo no início da Guerra Fria vem sendo comparado à guerra de Bush contra o terror.

Truman deixou o cargo com baixos níveis de popularidade, por causa da Guerra da Coréia, mas acabou sendo avaliado de forma positiva pela história. Há na Casa Branca quem defenda que o legado de Bush vá ser redimido da mesma forma, apesar dos grandes prejuízos políticos que ele vem sofrendo por causa da guerra no Iraque.

O historiador McCullough destaca-se principalmente pelas biografias de Truman e de John Adams, que escreveu.

Também receberam a Medalha da Liberdade o ex-secretário dos Transportes Norman Mineta, o jogador de beisebol já morto John “Buck” O’Neil, o colunista William Safire, o cientista e Prêmio Nobel Joshua Lederberg, o historiador britânico Paul Johnson, o presidente da Universidade de Xavier Norman Francis e a ativista pró-alfabetização Ruth Colvin.