Bush muda o tom após derrota de republicanos em eleições

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Abalado pela perda da maioria republicana no Congresso dos Estados Unidos, o presidente George W. Bush enfrenta nesta quinta-feira a difícil tarefa de superar divisões partidárias e aproximar-se dos líderes democratas que voltaram ao poder.

As negociações de Bush com os democratas acontecem depois das indicações de que eles ganharam assentos suficientes para controlar o Senado norte-americano e que terão maioria nas duas Casas do Congresso pela primeira vez em 12 anos.

Refletindo as mudanças no cenário político para os dois últimos anos de seu governo, Bush anunciou na quarta-feira a renúncia do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, que é a primeira vítima das duras perdas dos republicanos nas eleições de terça.

Rumsfeld, aliado de Bush há muito tempo, tornou-se alvo das críticas à guerra no Iraque.

Em tentativa de salvar o restante de seu mandato, Bush prometeu formar uma nova aliança bipartidária depois de anos de divisões. Ele insistiu que a mensagem dos eleitores foi clara.

“O povo americano quer que seus líderes em Washington deixem as diferenças de lado, se comportem de maneira ética e trabalhem juntos para lidar com os desafios que o nosso país enfrenta”, disse ele em entrevista coletiva na quarta-feira.

Os democratas continuam receosos, mas pediram um “novo começo” nas relações, incluindo um debate bipartidário sobre o Iraque. A guerra no Iraque deverá ser o principal tema de um almoço na Casa Branca nesta quinta-feira, para o qual Bush convidou a provável nova presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o democrata Steny Hoyer, segundo homem do partido na Casa.

Bush reconheceu que o descontentamento do eleitor com o Iraque teve influência na eleição de terça-feira. Ele também reconheceu que sua política iraquiana “não está indo bem o suficiente nem anda com a velocidade suficiente”, mas recusou-se a recuar.

“Estou comprometido com a vitória”, disse ele ao nomear o ex-diretor da CIA Robert Gates para o lugar de Rumsfeld.

Os democratas ainda não têm uma posição comum para o Iraque, mas consideram o resultado da eleição como um repúdio dos eleitores à política de Bush, em meio ao crescente número de vítimas dos EUA e da violência sectária.

MAIS PARTICIPAÇÃO

O controle de comitês importantes da Câmara — com poderes de investigação e de controle orçamentário — pode dar aos democratas mais influência na política para o Iraque, além da capacidade de avançar com sua agenda doméstica.

Sem cooperação bipartidária e com uma cisão entre o Legislativo e o Executivo poderá haver um impasse, já que as eleições de 2008 se aproximam.

Bush tenta evitar perder o controle total e parece estar disposto a se aproximar de Pelosi, uma liberal da Califórnia e a primeira mulher a assumir o principal cargo da Câmara. Ela e Bush trocaram insultos durante a campanha eleitoral.

A aproximação com os democratas significa uma volta de Bush aos tempos de Texas, onde ficou conhecido como governador que tentou aproximar-se dos adversários. Ele concorreu para a Presidência em 2000 com o slogan de “unificador”.

Os democratas ganharam cerca de 30 cadeiras e o controle da Câmara na eleição de terça-feira.

A mídia disse na quarta-feira que os democratas terão vagas suficientes para controlar também o Senado, já que James Webb teria derrotado o senador republicano George Allen em uma disputa acirrada na eleição da Virgínia.