Câmara de Deputados é inundada com mensagens a favor da reforma imigratória

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Organizações pró-imigrantes fortalecem campanhas em prol da legalização de milhões de indocumentados; brasileiros devem juntar-se a elas

Câmara de Deputados

As principais organizações nacionais que defendem os direitos dos imigrantes nos Estados Unidos ligaram para fortalecer as campanhas de mensagens ao Congresso, desta vez para pressionar a Câmara de Representantes para que acelere o debate e aprove uma reforma imigratória ampla que inclua a cidadania para milhões de indocumentados.

Na semana passada, o plenário do Senado aprovou com 68 votos a favor e 32 contra o plano S. 744 baseado em um forte componente de segurança que inclui um caminho para a cidadania para milhões de estrangeiros sem papéis que estão nos Estados Unidos.

O Conselho Nacional de la Raza (NCLR) aplaudiu o Senado e quer urgência da Câmara de Representantes imitando o esforço bipartidário.
O plano de reforma imigratória do Senado “reconstrói nosso sistema imigratório, ajuda a estimular a economia e inclui uma rota para a legalização e a cidadania para os imigrantes indocumentados no país”, disse a organização em um comunicado minutos depois da votação.

O dedo no teclado

“Nossa comunidade continuará envolvida ativamente neste processo, particularmente em assegurar que a aplicação da lei está sendo realizada de uma forma inteligente, e em defender o caminho para a cidadania”, advertiu Janet Murgia, presidente de la Raza. E acrescentou: “Vou ser bem clara: aos votantes latinos que ajudaram para que chegássemos a este momento que virou o jogo, lembraremos este voto. Particularmente, se lembrarão daqueles que apoiaram – e daqueles que os descartaram- os melhores interesses de nossa comunidade e do país. A pergunta agora é se a Câmara de Representantes se alinhará com o progresso ou tratará de evitá-lo”.

Em seu website na Internet, La Raza tem uma campanha nacional ativa para o envio de mensagens, desta vez para a Câmara de Representantes para que debata o quanto antes um plano abrangente que abra um caminho para a cidadania para os milhões de indocumentados.

Durante o debate imigratório de 2007, a central telefônica do Congresso entrou em colapso por causa de uma chuva de mensagens a favor e contra uma reforma imigratória. Relatórios indicam que a maioria das chamadas rechaçou um plano amplo. Mas desta vez as coisas mudaram, disse domingo o senador Bob Menéndez (democrata de Nova Jersey) ao jornalista Jorge Ramos, apresentador do programa Al Punto da Rede Univision.

Menéndez pediu à comunidade Latina para repetir na Câmara de Representantes a pressão realizada durante sete meses no Senado para discutir e aprovar a reforma imigratória.

Em uma de suas páginas digitais, La Raza pede aos imigrantes para compartilhar suas histórias pessoais para levá-las depois ao deputado de seu distrito. O objetivo é motivar os legisladores a conhecer um pouco mais sobre como vive o setor mais vulnerável de sua comunidade eleitoral e dizer a ele que os votantes querem que seja aprovada uma reforma imigratória para tirá-los das sombras.

Acelerem o processo

A Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) celebrou a aprovação no Senado do plano S. 744 e pediu à Câmara que “considerem imediatamente uma reforma imigratória integral de maneira bipartidária”.

“Exorto a Câmara de Representantes a seguir a liderança do Senado e a aprovar uma proposta de reforma imigratória integral o mais rápido possível”, disse o arcebispo de Los Angeles, José H. Gómez, presidente do Comitê sobre Imigração da USCCB.

Gómez indicou que, embora o Comitê sobre Imigração da USCCB não esteja de acordo com elementos da proposta S. 744, a considera como uma melhoria sobre o estado atual. “A situação de nosso sistema atual causa muito sofrimento entre imigrantes e suas famílias e isto precisa terminar,” advertiu.

O religioso acrescentou que continuará buscando melhorar a proposta no Senado e a de qualquer proposta considerada pela Câmara de Representantes, inclusive procurar com que o caminho para a cidadania para pessoas indocumentadas seja acessível e realizável.
“Nosso trabalho não foi concluído”, assegurou. “A Igreja continuará lutando pelos direitos dos imigrantes, durante o atual debate e no futuro”.

Desde março a Igreja Católica americana tem uma campanha de pressão sobre o Congresso para que legisladores democratas e republicanos redijam e aprovem uma reforma imigratória ampla e abrangente.

O cardeal de Chicago, Francis George, disse reiteradas vezes que “este é o momento” de consertar o sistema imigratório nos Estados Unidos e chamou os católicos “para unir suas vozes” a fim de pressionar os legisladores para que elaborem o projeto no Legislativo.

“É o momento de consertar um sistema quebrado que por muito tempo dividiu e devastou famílias através de deportações maciças, maus tratos e discriminação, semeando o temor na comunidade imigrante”, declarou George.

Além de orações, a Igreja Católica também pede aos fiéis que contatem seus deputados e enviem mensagens em apoio a uma reforma imigratória justa.

Tweets para o Congresso

O Sindicato Internacional de Trabalhadores de Serviços (SEIU) lembrou que mantém uma campanha de envio de mensagens para o Congresso para que os legisladores levem em conta a opinião de seus eleitores no momento do debate.

Em coordenação com a America’s Voice, a SEIU ativou uma página digital onde o usuário pode entrar em seu e-mail e colocar a zona postal onde vive. Ao enviá-lo será gerado um tweet que chegará em segundos ao deputado correspondente na Câmara de Representantes.

Em março, a SEIU lançou uma campanha nacional com mensagens de rádio, televisão e ligações para o Congresso para que o Senado aprovasse um plano de reforma imigratória abrangente. Também participou de reuniões de trabalho com o Congresso e o setor empresarial para afinar acordos que foram incluídos na versão final do projeto S. 744.

A Coalizão pelos Direitos Humanos dos Imigrantes de los Angeles (CHIRLA) também mantém uma campanha de ação para pressionar o Congresso com mensagens de texto, e-mails e ligações telefônicas. Em uma de suas páginas de Internet pede a seus seguidores que contatem seus legisladores e façam chegar a eles suas opiniões sobre a reforma imigratória. Também contam com uma página no Facebook.

A organização Reform Immigration for America acelerou o processo com sua campanha a favor da reforma imigratória e pede à população que não deixe passar um dia para contatar seus legisladores da Câmara de Representantes e pedir-lhes que aprovem a reforma.

A Reforma Imigratória PRO América (Reform Immigration FOR America) é o componente on line de um esforço nacional organizado sob a Aliança pela Cidadania (Alliance for Citizenship) que une pessoas e organizações comunitárias com a missão de cultivar apoio amplo por uma reforma imigratória integral, humana e eficaz, como se lê em uma de suas páginas.

A entidade pede a aprovação de uma lei que inclua a cidadania para os 11 milhões de indocumentados que vivem no país e que o governo suspenda as deportações.

“Até que não corrijamos o quebrado sistema em sua totalidade, não conseguiremos resolver o problema”, indicam. “Uma reforma imigratória de longo prazo requer soluções duradouras”.

Durante o primeiro governo do presidente Barack Obama o governo federal bateu quatro recordes sucessivos de deportações. No ano fiscal 2012 expulsou quase 410 mil estrangeiros sem papéis. O Departamento de Segurança Nacional (DHS) assegurou que a maioria dos deportados tinha antecedentes criminais, mas as organizações nacionais que defendem os direitos dos imigrantes reiteram que entre seis e sete de cada 10 deportados pelo governo não possuíam antecedentes criminais que representassem uma ameaça para a segurança dos Estados Unidos.