Casal de brasileiros que teve bebê seqüestrado nos EUA sofre críticas

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Bryan dos Santos Gomes (foto) foi levado no dia 1º de dezembro de 2006 e Polícia não tem pistas sobre seu paradeiro

O reverendo Israel Suarez, liderança da comunidade hispânica em Fort Myers, na Flórida (Estados Unidos), criticou nesta quinta-feira o casal de brasileiros Jurandir Gomes Costa, 26, e Maria de Fátima Ramos dos Santos, 23, por sua suposta falta de interesse na investigação sobre o seqüestro de seu filho, o bebê Bryan dos Santos Gomes.

De acordo com relatos da mãe, a criança foi seqüestrada no dia 1º de dezembro de 2006, por uma mulher armada com uma faca.

“Se eles não se preocuparem, ninguém mais vai”, afirmou Suarez, de acordo com o jornal local “News-Press”. Questionado sobre o que Maria de Fátima poderia fazer para ajudar, o reverendo sugeriu “entregar folhetos, ir de porta em porta, falar com as pessoas. Os pais têm que liderar esse esforço.”

Maria de Fátima rebateu as críticas e afirmou que o casal disse à polícia tudo o que sabe. “Nós temos buscado o apoio da comunidade, mas as pessoas têm medo. Eu tenho ficado em casa esperando o telefone tocar. Eu não consigo dormir, comer nem fazer nada.”

O desaparecimento de Bryan causa polêmica porque Maria de Fátima acusa a polícia de ter dado atenção demais à hipótese de que ela e o marido tivessem vendido o bebê para pagar uma dívida com os coiotes que guiaram os dois até os EUA, pela fronteira com o México. No começo de janeiro, os dois chegaram a passar por detectores de mentiras.

Nenhum representante da polícia compareceu à entrevista que reuniu os pais de Bryan, Suarez e John Rabun, vice-presidente do Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas, nesta quinta.

Como Bryan tem cidadania americana, o casal de brasileiros não deve ser deportado. Uma recompensa é oferecida a quem der informações sobre o caso.

Sequestro

De acordo com Maria de Fátima, ela e a amiga Janice Duarte, 22, ambas com bebês de colo, haviam acabado de deixar o hospital onde passaram por consultas médicas e estavam em um ponto de ônibus quando foram abordadas por uma mulher em um utilitário –uma Explorer ou uma Blazer– que pedia informações sobre localização.

Durante a conversa, as duas aceitaram dinheiro para seguir dando instruções à mulher. No trajeto, porém, ela passou a ameaça-las com uma faca. Janice ainda conseguiu descer, mas Maria de Fátima permaneceu rendida. Ela foi, então, ainda segundo seu relato, obrigada a deixar Bryan em uma poltrona para bebês e a passar para o banco dianteiro.

Maria de Fátima diz que a criminosa chegou a cobrar US$ 500 para devolver Bryan. “Ela me disse que tinha um problema em casa, que precisava de dinheiro, e sugeriu que me levasse a uma loja para eu entrar em contato com o meu marido, obter a quantia e entregá-la a ela.” No final, a mulher obrigou Maria de Fátima a descer do carro e fugiu.