Caso do canibal de Miami alerta sobre ‘drogas legais’

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Rudy Eugene arrancou parte do rosto da vítima, Ronald Poppo, a dentadas em uma ponte de acesso para Miami Beach no último final de semana, chocando a população e os policiais


Rudy Eugene (e) e a vítima Ronald Poppo que está em estado grave

O ataque do homem nu ao morador de rua no fim de semana, em plena ponte que liga Miami a South Beach continua despertando discussões de agentes da lei e da ordem. O agressor Rudy Eugene, de 31 anos, foi morto no local pela polícia e a vítima, Ronald Poppo, um sem-teto de 65 anos, permanece em estado crítico no hospital da Universidade de Miami.

As consequências deste ato bizarro são as facilidades das pessoas em adquirir medicamentos aparentemente inofensivos e transformá-los em alucinógenos. Aspirinas, sais de banho, incensos e outros servem como ingredientes para os viciados cheirar e fumar levando-os a cometer insanidades como esta praticada por Eugene. Isto vem alastrando-se pelo sul da Flórida.

O pior é que o estado tem tido dificuldade para controlar estas drogas porque os fabricantes estão sempre um passo à frente mudando os ingredientes para ludibriar a lei. A frustração chegou ao auge esta semana com a especulação de que o canibal da Causeway pode ter usado sais de banho quando mastigava o rosto de sua vítima no sábado passado (26) em Miami.

Quando uma substância é banida, os fabricantes de drogas mudam a fórmula, disse Dennis St. Cyr, asssistente do sheriff do condado de Palm Beach, que trabalha na divisão narcóticos.

Muitos sais de banho são vendidos em pacotinhos sob nomes como Ivory Wave, Bliss and Vanilla Sky e alertam que não são indicados para consumo humano, servindo apenas para serem usados como sais de banho colocados na banheira. Outros dizem servir como desodorizadores e limpadores de piscina e spa.

Na verdade, eles contêm agentes químicos como mefedrona e MDPV que produzem um efeito similar ao dos narcóticos ilegais, como cocaína e metanfetaminas. Eles vêm em pequenos frascos, parecem cristais e são empacotados em pequenas quantidades, suficientes para serem cheiradas ou engolidas.

A Flórida baniu estes químicos no ano passado, e este ano teve de acrescentar 92 químicos à lista este ano para acompanhar as mudanças dos fabricantes.

Lojas ganham dinheiro com isto

As lojas faturam muito vendendo estas drogas perigosas, disse St. Cyr. Seu gabinete recebe reclamações frequentes sobre lojas que continuam a vender estes artigos, mas é difícil para a polícia prender os donos. Primeiro, eles têm de provar que os produtos estão sendo vendidos para serem cheirados, engolidos ou fumados, apesar de constar de seus rótulos que não são para consumo humano.

Depois, os policais precisam enviar as drogas para um laboratório para ver se contêm quimícos ilegais, o que demora semanas. Demorará semanas para alguém saber se Rudy Eugene estava drogado quando atacou Ronald Poppo na MacArthur Causeway.

Mas algumas cidades do sul da Florida não estão esperando o laudo oficial. Horrorizadas como o ataque, estão acrescentando sais de banho aos planos anunciados anteriormente de banir a venda de maconha sintética comercializada como “otpourri e incenso, mas embalada em quantidades muito pequenas e caras para serem levadas a sério como itens legítimos.

O tema preocupa porque pode provocar tragédias como esta que mobilizou a região e o país. Os médicos dizem que mais grave do que o processo de reconstrução facial é o risco da vítima contrair uma infecção. A boca humana é basicamente suja, disse o Dr. Seth Thaller, chefe de cirurgia plástica e reconstrutiva da escola de medicina da Universidade de Miami.

O policial que atendeu a vítima revelou que o rosto ficou completamente desfigurado. Da testa, só restou o osso frontal, um dos olhos foi arrancado, nariz e boca desapareceram e a face foi rasgada até o cavanhaque. Algo indescritível, disse o policial.

O tratamento de reconstrução deve demorar meses e é possível que a vítima fique desfigurada para sempre. Para evitar a repetição de casos como este, os agentes da lei estão querendo jogar duro contra os fabricantes destas drogas e sua distribuição no mercado local.