Caso Palocci enfraquece o governo de Dilma

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Até aliados cobram do ministro explicações sobre aumento de patrimônio

Um sinal de que as suspeitas acerca do enriquecimento ilícito do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, estão abalando a governabilidade da presidenta Dilma Rousseff é a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cena. Foi Lula quem coordenou os encontros para reestruturar a articulação política do governo, principalmente os que reuniram senadores petistas num almoço e aliados na casa do presidente do Senado, José Sarney. Com discursos inflamados, ele assumiu o papel de bombeiro da crise e exigiu unidade na defesa de Palocci e do próprio Palácio do Planalto.

Ao mesmo tempo, Lula deu um puxão de orelhas no atual ministro. Segundo fontes petistas, o ex-presidente ouviu dos parlamentares um rosário de queixas sobre a ausência total de interlocução com o Planalto e com a Casa Civil. ?A sua situação no Congresso não é boa?, teria dito Lula a Palocci, sugerindo que ele deveria dar mais carinho aos aliados. Coincidentemente, logo após as reuniões, o ministro sentou-se em seu gabinete para uma série de telefonemas, especialmente para os políticos mais insatisfeitos, como o líder do PT, Humberto Costa, o senador Jorge Viana e o líder do PR no Senado, Magno Malta (ES).

A intervenção de Lula no episódio pode até trazer uma paz momentânea e livrar Palocci das explicações sobre as suspeitas no Plenário do Congresso, mas pode trazer consequências negativas para a imagem da presidente. Pelo menos é essa a avaliação de cientistas políticos em Brasília. A maneira como o governo Dilma vem conduzindo o imbróglio do enriquecimento do ministro Palocci passa a imagem de que não está havendo capacidade para administrar a crise e que a coordenação deste processo não está nas mãos da presidenta, afirmou pesquisador Marco Antonio Carvalho Teixeira.

Para ele, o problema de crise interna na base governista já começa a trazer problemas para Dilma: a derrota na Câmara dos Deputados na aprovação do novo Código Florestal mostra que a tarefa não será fácil. Afinal, o governo tem maioria absoluta na Casa.

Palocci foi acusado de comprar um imóvel de quase sete milhões de reais, em São Paulo, no final do ano passado, apesar de ter acumulado nos últimos anos rendimentos brutos, como deputado federal, que somariam 974 mil reais. Em nota divulgada pela Casa Civil, o ministro diz que obteve renda para comprar o imóvel prestando serviços de consultoria econômico-financeira através da empresa Projeto-Administração de Imóveis Ltda,o que não é incompatível com a atividade parlamentar.