Cientistas prevêem aquecimento global maior do que o esperado

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O Grupo Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC, em inglês) está reunido desde hoje em Paris para finalizar suas projeções do aquecimento da Terra para este século, que deverá ser maior que o cenário traçado pelos cientistas em 2001.

Desde o último relatório do IPCC, “as evidências da mudança climática ficaram mais claras”, afirmou o presidente do grupo, Rajendra Pachauri, na abertura da conferência, que reúne mais de 500 especialistas e representantes governamentais.

Os participantes têm que entrar em consenso “palavra por palavra, e linha por linha” sobre o documento que será apresentado na sexta-feira, disse Pachauri. No entanto, o presidente do IPCC não quis falar sobre o assunto por temer que o texto possa sofrer modificações importantes devido à pressão de certos governos.

Ainda sobre este aspecto, um dos membros do IPCC, o francês Jean Jouzel, alertou que, por causa da exigência de consenso, as conclusões “correm o risco de subestimar as mudanças climáticas, mais do que de exagerá-las”.

Segundo informações não confirmadas, o relatório do IPCC, que será divulgado na sexta-feira, prevê um aquecimento climático maior do que o previsto em 2001, quando foi anunciado que a temperatura da Terra aumentaria entre 1,4 e 5,8 º C até 2100.

Agora, os cientistas prevêem que o crescimento ficará entre 2 e 4,5 ºC, sendo 3 ºC a opção mais provável. Além disso, já não há dúvidas de que as emissões de poluentes das atividades humanas causam o “efeito estufa”.

Também serão revisados os números da elevação do nível dos oceanos devido ao derretimento de parte das calotas polares e o aumento do volume de água marinha por causa do aquecimento.

Antes, os especialistas trabalhavam com uma margem ampla de acréscimo de 9 a 88 centímetros no final do século. Agora, os limites são mais reduzidos, de 28 a 43 centímetros de aumento do nível dos mares.

O presidente do IPCC também não quis falar sobre as previsões feitas pelos mais de 500 especialistas internacionais, que durante os últimos quatro anos analisaram os estudos científicos publicados sobre a mudança climática.

No entanto, Pachauri afirmou que nunca um tema havia gerado no mundo “tanta fome de conhecimento científico”.

Co-presidente do grupo de trabalho do IPCC encarregado do relatório sobre as bases científicas da mudança climática, Susan Solomon enfatizou a seriedade de seu trabalho.

Solomon disse que mais de 500 cientistas ajudaram a elaborar o relatório, sendo que 75% destes não haviam participado da redação da edição de 2001. A especialista também afirmou que mais de 30 mil sugestões haviam sido levadas em consideração na elaboração da minuta.

Após o documento, o IPCC deve adotar outros três ainda este ano. Em 6 de abril, será discutida em Bruxelas uma minuta sobre os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade à mudança climática.

No dia 4 de maio, será debatido, em Bangcoc, um relatório sobre a atenuação destes efeitos. Já em 16 de novembro, será aprovado, em Valência, um documento contendo a síntese para os responsáveis políticos.

Os trabalhos do IPCC, criado em 1988, levaram à adoção do Convênio sobre a Mudança Climática em 1992 e, cinco anos depois, ao Protocolo de Kyoto sobre a redução do dióxido de carbono (CO2) e outros gases causadores do efeito estufa.

Enquanto os representantes do IPCC davam início à sua reunião na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a um quilômetro dali um grupo de ativistas do Greenpeace escalou a Torre Eiffel para pendurar cartazes nos quais podia ser lida a frase “Não é tarde demais”.

Os manifestantes também advertiram que é necessário agir para impedir que as temperaturas subam mais de dois graus Celsius, nível a partir do qual, segundo os cientistas, a Terra correria perigo.

A Prefeitura de Paris quer que a Torre Eiffel participe de um ato simbólico que sirva de alerta para a necessidade de tomar medidas para atenuar a mudança climática. Na quinta-feira, todas as luzes da atração turística serão apagadas das 19h55 às 20h (16h55 e 19h em Brasília).