Cirque du Soleil mostra o que vai além do espetáculo

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Trupe mostra seu show Totem no Sun Life Stadium que fica em exibição até o final de fevereiro

Joselina Reis

Cirque du Soleil

Do tradicional circo ficou apenas a pipoca e a tenda. O resto pode-se dizer que o Cirque du Soleil é a reinvenção do circo moderno.

Diferente da imagem mambembe que costumava-se ter desse tipo de artista e modo de viver, quem trabalha no Cirque du Soleil tem outro nível de tratamento e de estilo de vida. E como não poderia faltar, na trupe de 52 artistas vindos de 17 países, um é brasileiro.

O professor de educação física, ex-atleta de ginástica olímpica da pequena Itajaí (SC), Fábio Luis Santos, de 26 anos, é o único brasileiro no grupo. Feliz da vida por ter conseguido chegar no que ele diz ser o ápice da carreira de um ginasta, ele integra a apresentação de abertura do show Totem. O espetáculo está em cartaz no Sun Life Stadium até o dia 24 de fevereiro.

Fábio integra o grupo desde 2009 e até agora tem participado apenas do show Totem. Em fevereiro, ele muda para o Brasil com o novo show Corteo. O espetáculo vai ficar em cartaz em terras brasileiras por treze meses. “Pedi a transferência porque quero ficar perto da família. Mas isso não acontece com freqüência dentro da companhia”, revela.

Fábio Luis Santos

Ele conta que conseguiu o emprego graças ao constante treinamento que manteve durante toda a sua vida de atleta. A seleção aconteceu em 2008 e seu nome, assim como ocorre com todos, foi para um banco de dados. Quando os diretores criam um novo espetáculo ou precisam repor um artista recorrem à lista de perfis e escolhem um. Foi assim com Fábio que seis meses depois recebeu o convite. “No Brasil cheguei a ser campeão estadual de ginástica artística, mas conseguir patrocínio era sempre uma luta”, lembra.

Trabalhando agora em uma companhia milionária, Fábio afirma que tem tudo à disposição. A trupe não mora em tenda, eles ficam em apartamentos; a companhia oferece restaurante 18h por dia; mais lavanderia e escola para os filhos dos funcionários. “Não gasto com nada”, revela.

Ele não sabe ao certo, mas acredita que tem pelo menos um brasileiro em cada show. O Cirque du Soleil foi criado nos ano 80 nas ruas de Quebec (CA) com apenas 20 artistas e um show, agora eles são 5 mil empregados (1,3 mil artistas) e 19 espetáculos viajando por todo o planeta.

Com filosofia de que artista é artista e não precisa fazer mais nada além disso, o Cirque leva um grupo de mais de cem funcionários aonde quer que vá e sempre contrata outros 200 temporários da região. “Nós somos uma vila ambulante”, enfatiza Francis Jalbert, um dos assessores do show Totem.

Totem traz a origem da vida com muita cor e efeitos

O espetáculo Totem sem dúvida enche os olhos de quem vê. São duas horas de show com um intervalo de 30 minutos que poderia ser o dobro que ninguém se incomodaria. A direção do espetáculo usa e abusa da iluminação, cores e efeitos especiais para fazer com que o palco se transforme aos olhos do público em algo mágico.

O número de abertura, na qual o brasileiro Fábio Santos participa, mostra a origem da vida através dos anfíbios. Pendurados em uma gigantesca carcaça de tartaruga o grupo usa duas barras, semelhantes às usados por atletas, para fazer manobras inacreditáveis. É difícil imaginar como comandar um grupo de quase 20 pessoas, onde a maioria não fala inglês. “No começo eu não falava nada, agora dá para o gasto”, comenta Fábio.

Sem dúvida a tecnologia mudou completamente a ideia que o público tinha sobre circo. O show de luzes ocupa toda a tenda, onde 2600 pessoas se aglomeram para ver o espetáculo, e muda de um minuto para o outro. O palco é outro show à parte. Com ajuda de computador, ele pode ser um momento um lago, cachoeira, céu estrelado, floresta e até deserto.

Simplesmente não é possível ficar entediado durante as duas horas de espetáculo. Os artistas com suas habilidades incríveis não param de mostrar que podem fazer mais do que você imagina.

De todas as apresentações da noite, algumas precisam ser destacadas como, por exemplo, os anfíbios, as chinesas que sob bicicletas de uma roda fazem malabarismos de tirar o fôlego e a evolução dos macacos até se transformar no homem moderno.

Isso tudo sem mencionar as diversas outras apresentações desde o tradicional trapézio, sem rede de segurança, a apresentação da princesa sob patins e os equilibristas de barras. Com tudo isso ninguém sente falta de animais adestrados e do cheiro do palha.

Cirque em números

52 artistas
17 países
2600 pessoas por noite
8 dias para armar a estrutura
3 dias para desarmar a estrutura
64 caminhões para transportar o material da turnê
26 crianças acompanham pais na turnê
3 professores moram com o grupo para acompanhar as crianças que seguem curriculum escolar canadense
250 refeições por dia servidas aos artistas e trabalhadores
15 anos é o tempo de turnê de um show
2,5 anos é o tempo que Totem está em turnê pelos EUA
8 meses para treinar um grupo de artistas para uma nova turnê
2 ensaios por semana
1001 é o número de shows já feito na turnê Totem
2 semanas de férias remunerada por ano
1 semana de férias entre cada cidade durante a turnê
2 massagistas viajam com o grupo

Serviço

Cirque du Soleil
Sun Life Stadium (347 Don Shula Drive–Miami Gardens)
Dias: de terça a domingo (Jan10 a Fev 24)
Horário: terça a sexta–8p.m., sábado 4p.m. e 8p.m., domingos 1pm e 5p.m.
Entrada: $58.00 a $143.50
Contato: www.cirquedusoleil.com/tótem ou 1-800-450-1480
Obs: devido à grande procura sessões extras serão agendadas