Clima tenso no Egito provoca mais mortes

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EUA criticam “medidas insuficientes” adotadas por Mubarak e acirram protestos

A mensagem enviada pela Casa Branca, que considera insuficientes as medidas políticas adotadas pelo presidente do Egito, Hosni Mubarak, acabou acirrando ainda mais os ânimos na capital do país africano, Cairo. Milhares de pessoas realizaram manifestações em frente ao parlamento e na Praça Tahrir exigindo a saída do líder, e foram repreendidas pelas forças de segurança. Desde o início dos conflitos, cerca de 300 pessoas já morreram, mas o serviço de Saúde controlado pelo governo local tenta ocultar o número real de baixas, segundo a ONG Human Rights Watch.

A situação pode piorar no país, pois trabalhadores do setor público decidiram entrar em greve, depois que o vice-presidente, Omar Suleiman, afirmou que a transição política vai acontecer com a eleição de setembro e com Mubarak no cargo que ocupa desde 1981. Já o presidente responsabilizou a Irmandade Muçulmana pela instalação do caos no país.

Os Estados Unidos, através do vice Joe Biden, avisou que espera a suspensão das leis de emergência que dão amplos poderes à polícia. A lei, que está em vigor há 30 anos, representa uma ameaça aos manifestantes, que têm sofrido agressões durante os protestos. Segundo a Human Rights Watch, a maior parte das vítimas foi assassinada por policiais, que reprimem os atos disparando contra a multidão.

No fechamento desta edição, na quinta-feira, Mubarak chegou a convocar a imprensa e população para um discurso, mas acabou decepcionando ainda mais os manifestantes que esperavam sua renúncia imediata. Tranquilo, ele confirmou que pretende continuar no governo até setembro, à frente da transição de poder, mas também disse que iria transferir poderes ao seu vice, Omar Suleiman. Ou seja, permanece chefe de Estado de direito, mas Suleiman passa a ser o presidente de fato.