Clinton manda revisar programa de vistos para jovens

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Governo quer evitar desvirtuamento do programa para proteger estudantes estrangeiros

A secretária de Estado Hillary Rodham Clinton ordenou esta semana uma “revisão ampla e minuciosa” de um programa de vistos para estudantes com o qual algumas empresas obtiveram mão de obra barata e os delinquentes têm trazido mulheres para o mercado do sexo.

Chegam ao país estudantes de todas as partes do mundo. Algumas das nações que mais participam são Brasil, Peru, Rússia, Ucrânia, Tailândia, Irlanda, Bulgária, Moldávia e Polônia.

Na mais recente crise do visto J-1 que permite trabalhar nos Estados Unidos durante as férias do meio do ano, um ato processal federal divulgado na semana passada acusa a máfia de utilizar o programa de intercâmbio cultural para trazer mulheres do Leste da Europa com o objetivo de se tornarem strippers nos clubes noturnos de New York.

O subcomitê de imigração do Comitê Judiciário da Câmara de Deputados também recolheu informações sobre o visto J-1, criado em 1963 para permitir que estudantes universitários de outros países possam vir aos Estados Unidos durante suas férias com o objetivo de aperfeiçoamento profissional e de diversão.

À medida que o programa cresceu, atraindo mais de 100.000 jovens anualmente, converteu-se mais em uma questão de dinheiro do que de aproximação cultural.

O Departamento de Estado realizou vários mudanças desde que uma investigação da agência The Associated Press no ano passado descobriu vários abusos, inclusive condições de moradia e trabalho que alguns participantes compararam à escravidão obrigada por contrato.

Em um dos piores casos, uma mulher disse à AP ter sido espancada, violentada e obrigada a trabalhar como stripper em Detroit depois de lher ter sido prometido um trabalho como garçonete na Virgínia.

Mais comum do que o abuso do comércio sexual são as moradias degradantes, as escassas horas de trabalho e o pagamento miserável. Em agosto, dezenas de trabalhadores protestaram contra as condições de trabalho em uma fábrica de doces que empacota chocolates Hershey em Hershey, Pensilvânia, queixando-se do trabalho físico duro e das deduções salariais para pagamento de aluguel que frequentemente os deixava com pouco dinheiro.

Um porta-voz do Departamento de Estado, que pediu para não ser identificado, disse que Hillary Clinton pediu uma “revisão ampla e minuciosa do programa”. “Continuamos comprometidos em trabalhar para fortalecer o Programa de Viagens para Trabalho no Verão com o objetivo de salvaguardar a saúde e o bem-estar dos participantes”, comentou o funcionário.

“Já instituímos um conjunto de reformas e estamos trabalhando para implantar outras adicionais que tomam medidas suplementares para proteger os participantes e priorizar a intenção cultural original do programa”, acrescentou.