“Coiotes” duplicam o preço para cruzar a fronteira

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Tarifas mais caras depois das chegada das tropas na fronteira entre México e Arizona.

Os traficantes de indocumentados, mais conhecidos como “coiotes”, duplicaram o preço por seus “serviços” desde a chegada dos soldados da Guarda Nacional à frontera entre Arizona e México.

Se no começo deste ano os traficantes cobravam entre 1.200 e 1.500 dólares por uma “atravessada” rápida e segura desde a cidade de Altar em Sonora (México) através do deserto de Arizona, agora o valor subiu e está entre 3 mil e 4 mil dólares por pessoa. E a mesma tarifa aplica-se a menores de idade. “A primeira vez que passei me cobraram 1.500 dólares, agora estão pedindo 3 mil”, disse um candidato a indocumentado.

Os “coiotes” estão dizendo que este é o melhor momento para tentar atravessar, pois assim que chegarem mais soldados, “será praticamente impossível”.

De acordo com o governo, desde que chegaram as primeiras tropas à fronteira, a prisão de imigrantes indocumentados caiu 21 por cento. Especialistas sobre imigração ilegal asseguram que o decréscimo deve-se não só à presença das tropas, mas também ao incremento nas tarifas por parte dos traficantes.

Temem mais mortes – Para alguns ativistas e defensores dos direitos dos imigrantes indocumentados, como Kate Rodríguez, porta-voz da Coalizão dos Direitos Humanos de Arizona, o aumento na militarização da fronteira, a construção de um muro ao longo da zona e sobretudo a presença de soldados da Guardia Nacional aumentarão o número de mortes de imigrantes.

O acréscimo nas tarifas dos “coiotes” criou o perigo latente de que muitas pessoas tratem de cruzar por si mesmas o perigoso deserto, onde las temperaturas no verão podem alcançar facilmente os 112 graus Fahrenheit. “Muitos deles desconhecem as longas distâncias que terão de caminhar e, sobretudo, a água que necessitam para sobreviver”, alertou Rodríguez.

De acordo com a Patrulha Fronteiriça, durante o atual ano fiscal já ocorreram 103 mortes de imigrantes indocumentados na fronteira com o Arizona, cinco a menos do que o ano passado durante o mesmo período.

Nada os detêm – Por sua vez, López, que espera poder cruzar logo para poder voltar a seu trabalho em Los Angeles, assegurou que nem sequer a presença da Guarda Nacional evitará que cruze a fronteira. “Talvez tenha de pagar mais, mas vale a pena, não se pode comparar os sálarios entre os dois países”, destacou o imigrante, que se viu forçado a regressar ao México depois que sua mãe adoeceu. “Os indocumentados querem apenas trabalhar, ter uma oportunidade para viver tranqüilos com suas famílias’, concluiu López.