Comunidade brasileira no Sul da Flórida atrai empresas do Brasil

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Bancos, companhias aéreas e grandes redes de restaurantes brasileiros chegam em massa ao estado

DA REDAÇÃO, COM SUN SENTINEL — O jornal The Sun Sentinel publicou no domingo (17) uma extensa matéria sobre o aumento da presença da comunidade brasileira na região dos três condados mais importantes do Sul da Flórida, Miami-Dade, Broward e Palm Beach. O jornal chamou de ‘Brazilian Boom’ a verdadeira invasão comercial que empresas brasileiras, atraídas pela prosperidade da comunidade, têm promovido na região.

Segundo o Sun Sentinel, as companhias encontram terreno fértil por aqui em função das centenas de milhares de sul-americanos residentes, muitos deles brasileiros e familiarizados com os produtos e marcas brasileiros.

Entre os que têm chegado mais recentemente, cita o jornal, estão bancos, restaurantes e companhias aéras. A Azul Linhas Aéreas, capitaneada pelo fundador da americana JetBlue, pretende estabelecer uma forte presença no aeroporto internacional de Fort Lauderdale-Hollywood já a partir de dezembro, quando inicia o seu primeiro voo ligando Brasil e Estados Unidos.

Mas a maior inciativa recente foi a do Banco do Brasil, o maior banco da América Latina, com um patrimônio avaliado em mais de $600 bilhões, que o coloca entre os 40 maiores bancos do mundo.

Em 2011, o Banco do Brasil comprou um pequeno banco do Sul da Flórida e hoje já possui quatro agências – em Miami, Pompano Beach e duas em Boca Raton. O plano é abrir mais cinco agências este ano, incluindo uma em Lighthouse Point.

“Nosso ponto de partida é a comunidade brasileira”, disse Antonio Cassio Segura, presidente e CEO do Banco do Brasil Americas ao Sun-Sentinel. “Depois dela, estamos abertos a todos. Queremos ser um banco local.”

Outra empresa com forte presença, a rede de restaurantes The Shrimp House abriu em dezembro sua primeira filial em Coral Springs e hoje já opera em quatro localidades, uma delas dentro do shopping Town Center, em Boca Raton. A rede planeja abrir mais uma no Sawgrass Mills neste outono, como parte do plano de se estabelecer com 30 restaurantes em toda Flórida.

O foco na comunidade brasileira no estado “é uma ótima forma de começar”, disse ao Sun-Sentinel Carlo Barbieri, do Oxford Group, uma firma de consultoria que tem ajudado a Shrimp House e outras companhias brasileiras a entrar no mercado americano.

Outras redes de restaurantes seguem o exemplo, como o Giraffa’s Kitchen & Grill, já com uma dúzia de filiais em todo estado, e o refinado Coco Bambu, que planeja abrir um ponto em Miami Beach.

Uma das razões para essa explosão de investimentos pode estar no fato de que o último censo americano mostrou que o número de brasileiros no Sul da Flórida aumentou 65% entre 2000 e 2012, tendo quase quadruplicado em Palm Beach.

O Census’ American Community Survey estima que haja 39 mil brasileiros na região. Líderes comunitários e empresariais, entretanto, afirmam que o número é subestimado, porque as amostras são pequenas e a taxa de resposta ao Censo é pequena. O número pode chegar a 200 mil no sul da Flórida e 300 mil em todo estado, incluindo uma grande concentração na área de Orlando.

“É uma tendência forte”, disse ao Sun Sentinel o consultor de negócios Aloysio Vasconcellos, do Westchester Financial Group, sediado em Boca Raton. “Essa tendência é ver cada vez mais empresas brasileiras vindo para cá e mais brasileiros qualificados e bem educados investindo na Flórida.”