Comunidades Seguras: mentira ou verdade?

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Relatório demonstrou que, de todos os detidos, só a metade consegue uma audiência perante um juiz

Uma coalizão de ativistas pró-reforma imigratória anunciou uma petição nacional para exigir que uma funcionária de alta patente da Casa Branca diga a verdade sobre um controvertido programa de deportação de imigrantes indocumentados.

A campanha de pressão está dirigida contra a diretora de Assuntos Intergovernamentais da Casa Branca, Cecilia Muñoz, depois que a funcionária defendeu o controvertido programa Comunidades Seguras no documentário Lost in Detention, transmitido na semana passada pela rede de televisão PBS.

O Comunidades Seguras, que será ampliado para todo o país em 2013, foi iniciado em 2008 pelo Departamento de Segurança Nacional (DHS) com o objetivo de deportar delinquentes perigosos, os detidos na fronteira e aqueles que continuam violando as leis de imigração. Sob este programa, o Bureau Federal de Investigações (FBI) compartilha as impressões digitais de todos os detidos com o DHS.

Mas o Comunidades Seguras tem sido alvo de críticas de grupos cívicos e religiosos porque, segundo os números oficiais, também vem sendo utilizado para deportar pessoas por infrações menores.

Na petição, os ativistas pedem que Cecilia Muñoz denuncie este programa, volte às suas raízes e retome seu papel na luta pela justiça. Como dirigente do Conselho Nacional de la Raza (NCLR), ela era uma defensora dos direitos dos imigrantes. Agora é a principal defensora de falidos programas como Comunidades Seguras, responsáveis pelas prisões desumanas de milhares de imigrantes, destaca a petição.

No documento, colocado na webpage da Presente.org, a coalizão recorda que a outrora ativista do NCLR viu de perto as lutas e a terrível dor que o falido sistema de imigração tem causado” entre a comunidade imigrante.

Um funcionário da Casa Branca, que pediu anonimato, considerou que as críticas à Cecilia Muñoz são injustas porque não levam em conta, por exemplo, as diversas modificações feitas no programa Comunidades Seguras. Acrescentou ainda que Obama tem lutado para avançar o Dream Act e uma reforma imigratória abrangente no Congresso, mas é função do Legislativo alterar as leis.

Um relatório do Instituto Warren da Escola de Direito da Universidade de Berkeley (CA) demonstrou que, de todos os detidos pelo Comunidades Seguras, só a metade consegue uma audiência perante um juiz. E apenas um quarto deste total conta com a presença de um advogado na audiência.