Concurso para garis atrai até doutores

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Candidatos superqualificados estão de olho em salário mínimo

Mais uma prova que o problema do desemprego é mundial e atinge até os países que suportaram bem a recente crise financeira, como o Brasil: um concurso público para a seleção de 1.400 garis no Rio de Janeiro, que exige dos candidatos a quarta série do ensino fundamental, atraiu interessados com bem mais qualificação. De acordo com a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), 45 inscritos têm doutorado, 22 concluíram o mestrado, 1.026 finalizaram o curso superior e 3.180 já estão na universidade.
Na verdade, pelo menos 4% dos candidatos já passaram pelos bancos de universidades, todos de olho num salário de 486 reais, pouco superior ao salário mínimo, por 44 horas semanais de trabalho. A busca frenética pela posição deve-se também aos benefícios da função, como plano de saúde, tíquete alimentação e adicional de insalubridade, que praticamente dobra o ganho mensal. Isso sem falar na estabilidade de um serviço público.
Mesmo com nível superior e especialização, os mais qualificados não têm vaga garantida, pois precisam demonstrar sua capacidade física em testes de flexão abdominal e corrida. “Disseram que eu era maluco, que eu ia ficar fedendo a lixo. Mas a faculdade hoje não garante emprego nem estabilidade para ninguém. Eu quero segurança”, diz Luiz Carlos da Silva, de 23 anos, que cursa o segundo período na faculdade de História. Outro exemplo emblemático é o do desempregado Ronaldo Carlos da Silva, que está há um ano sem trabalhar. “O concurso é para reorganizar a minha vida”, explicou.