Congresso dos EUA critica falta de direção na luta antiterror

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Falta de clareza pode comprometer operações contra o terrorismo no exterior

A falta de clareza e direção tem prejudicado os esforços do Governo dos Estados Unidos em sua luta contra o terrorismo internacional iniciada após os atentados de 11 de setembro de 2001, denunciou nesta terça-feira um relatório do Congresso americano.

O Escritório de Supervisão do Governo (GAO) diagnosticou que a falta de clareza causa incerteza entre os diversos órgãos, como o Escritório Federal de Investigação (FBI) e a Agência de Imigração e Alfândegas, sobre suas responsabilidades internacionais.

Além disso, o relatório diz que a falta de clareza pode ter comprometido várias operações contra o terrorismo no exterior.

Uma Estratégia Nacional para Combater o Terrorismo ordenou em 2003 ao Departamento de Estado que elaborasse e coordenasse uma política antiterrorista no exterior, o que não foi feito, denuncia o texto.

Segundo o relatório, a Casa Branca mandou que os diversos órgãos policiais ajudassem nos esforços de outros países contra o terrorismo. No entanto, autoridades e o pessoal das embaixadas “receberam pouca ou nenhuma orientação sobre a forma de conseguir isto”.

Como resultado, as agências policiais, que são um elemento fundamental do poder nacional, “não são usadas plenamente para proteger os cidadãos e interesses americanos de futuros ataques terroristas”, disse o relatório.

O documento se baseia em investigações realizadas pela GAO em quatro países que não foram identificados por razões de segurança mas que “são essenciais na guerra contra o terrorismo”. Eles receberam mais fundos para a luta contra o narcotráfico que contra o terrorismo, disse o relatório.

Como exemplo, a GAO citou um caso ocorrido em 2002. O Departamento de Estado iniciou um programa para vigiar as correntes migratórias na fronteira de um país de grande atividade terrorista. Mas o programa não consultou a patrulha fronteiriça dos EUA nem autoridades de imigração com experiência na área.

“Num país com uma ameaça terrorista extremamente alta que visitamos, um funcionário do FBI nos disse que nunca recebeu um pedido para identificar ou combater nenhum dos terroristas que figuram nas listas dos mais procurados pelo Departamento de Estado”, dizem os investigadores.

Outro aspecto denunciado no relatório é que a falta de avaliações integrais diminui a capacitação para reduzir vulnerabilidades em países estrangeiros.

As conclusões do relatório foram rechaçadas pelo Departamento de Justiça, que afirmou que os funcionários de segurança no exterior recebem uma direção estratégica unificada.