Controle de armas volta à pauta na Flórida

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Assassinato de policiais motivou debate e senadora promete reapresentar projeto polêmico

Os assassinatos de quatro policiais num espaço de quarto dias “em Miami e St. Petersburg” trouxeram à tona o velho debate sobre o controle de armas em poder da população civil. Os dois lados da discussão defendem seus pontos de vista de maneira bem veemente e, mesmo com a recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de estender os direitos de porte de armas para todos os estados e cidades do país, sempre que acontecem tragédias como estas da Flórida a questão ganha vida. As vítimas foram mortas por homens condenados pela Justiça, que estavam foragidos.

Aqui mesmo no Estado, os legisladores fizeram questão de ressucitar a polêmica. Segundo o senador Greg Evers, um defensor do direito ao porte de arma garantido pela Constituição, os crimes em Miami e St. Petersburg realçaram a necessidade de que a população esteja preparada para enfrentar a violência cada vez mais comum na América. “Os cidadãos de bem precisam se proteger. Você não gostaria de entrar numa briga contra alguém com uma pistola se estivesse apenas com uma faca”, argumentou o parlamentar republicano.

Por outro lado, a senadora Gwen Margolis é de opinião contrária e, inclusive, já apresentou outros projetos de controle de armas no estado. “Simplesmente não é sequer discutido, graças ao lobby dos fabricantes. Hoje qualquer pessoa pode comprar arma pela Internet”, lamenta Margolis. De fato, existem na Flórida, atualmente, mais de 780 mil permissões de porte de arma, isso sem falar nas que circulam ilegalmente, como foi o caso no assassinato dos policiais. A senadora democrata, porém, garante que vai tentar reapresentar o seu projeto em breve.

Mas mesmo depois de tragédias como estas, especialistas acreditam que mudanças drásticas neste particular são improváveis. O porte de armas é visto como um direito conquistado e garantido pela Constituição “e, para piorar, cerca de 70% da população é contra o controle das armas. Mas os colegas de profissão dos policiais mortos estão revoltados com a situação. “Aqui é mais fácil para um criminoso comprar uma arma do que uma lata de cerveja. Não precisamos de mais leis, precisamos apenas colocar em prática as leis que existem, sob pena de perder mais vidas”, lamentou o sargento John Rivera, president de uma associação que ajuda os familiares de policiais mortos em combate.

O enterro dos oficiais em Miami reuniu milhares de policiais de várias corporações do estado e do país