Cota para moradores de rua no Rio recebe críticas

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Empresários reclamam que responsabilidade é do poder público

A nova cota que a prefeitura quer institucionalizar para que moradores de rua da cidade do Rio de Janeiro sejam aproveitados em empresas que prestam serviço ao município foi duramente criticada por empresários. Os que atuam no ramo de limpeza e conservação, muitos deles terceirizados da prefeitura, reclamaram que a responsabilidade de resolver o problema é do poder público e não aceitam que ele seja transferido para a iniciativa privada.

O presidente do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Rio, Ricardo Costa Garcia, disse que o setor já arca com custos altos de operação devido a uma série de exigências legais, como contratar 5% de portadores de deficiência e 5% de menores aprendizes. Garcia afirma que o sindicato poderá ir à Justiça contra a medida. Outro empresário do ramo, José Mauro Eisenberg, vice-presidente do sindicato, chama atenção para outro problema: a falta de capacitação, fundamental na prestação de serviços diferenciados em áreas como limpeza hospitalar, por exemplo. “ Os funcionários que trabalham nos hospitais são profissionais capacitados. Não se trata apenas de pegar um balde e uma vassoura. Isso vai prejudicar a qualidade do serviço. Além do mais, acho que vai faltar morador de abrigo para tantas vagas”, ironizou.

A prefeitura do Rio disse que obrigará prestadoras de serviço a reservar pelo menos 10% das vagas de trabalho temporário a moradores de abrigos públicos ou pessoas em vulnerabilidade social dentro de comunidades. A medida valerá para empresas que prestam serviços como limpeza, por exemplo. Esta foi uma das novas ações anunciadas pelo secretário municipal de Assistência Social, Fernando William. A prefeitura vai também criar dez áreas de planejamento para maior interação entre as ações das secretarias municipais com objetivo de evitar que mais pessoas saiam para morar nas ruas. Uma pesquisa entre os cariocas mostrou que a maioria aponta como principal problema da Cidade Maravilhoso o número crescente de moradores de rua.