Crise de crédito ainda não passou, segundo FMI

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A contração mundial de crédito é uma “crise séria” que não acabou e terá impacto nos orçamentos dos governos, afirmou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato, em entrevista ao jornal “Financial Times”.”Os políticos não devem pensar que os problemas ficarão nos escritórios dos banqueiros”, disse Rato. “Os problemas chegarão ao setor real, chegarão aos orçamentos, isso é algo que seguimos dizendo às pessoas”, acrescentou.

Para Rato, somente no próximo ano a disponibilidade de fundos retornará a um nível normal nos mercados, o que para ele terá um “impacto no crescimento”. Com o crescimento menor, os ministros das Finanças deveriam modificar seus orçamentos, mas poucos parecem dispostos a fazer isso, segundo o espanhol, que vai deixar o comando do FMI ao fim do mês. Rato afirmou ainda que a contração de crédito, provocada pela crise dos créditos hipotecários de risco (subprime) nos Estados Unidos, não era “uma tempestade em copo de água”.

“Os Estados Unidos desacelerarão. O crescimento na Europa parece menos forte que antes, e no Japão também”, disse Rato, que será substituído pelo francês Dominique Strauss-Kahn no final de outubro. Os mercados emergentes provavelmente sofrerão o impacto da crise, previu, antes de afirmar que, apesar do forte crescimento desses países, o nível a partir de agora dependerá do tempo de duração do desaquecimento nos Estados Unidos e Europa.