Cuba faz reforma migratória, mas não para todos

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A eliminação da necessidade do visto de saída para viajar de Cuba para o exterior pode provocar um novo êxodo para os Estados Unidos, prevêem especialistas em Cuba. No entanto, os atletas e outros cidadãos considerados estratégicos para o processo de desenvolvimento da ilha estão na lista de exceções da nova lei.

O professor Jaime Suchlicki, diretor do Instituto de Estudos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami, comparou a medida anunciada no fim de Outubro em Cuba, que entrará em vigor em 14 de janeiro, com o movimento em massa de cubanos que partiram do porto de Mariel para os Estados Unidos entre 15 de abril e 31 de outubro de 1980 após uma abertura feita pelo líder revolucionário Fidel Castro. Isto é um Mariel legal e lento, mas será outro Mariel, disse Suchlicki à France Presse.

Na época, mais de 125 mil cubanos fugiram da ilha por mar em direção aos Estados Unidos, onde provocaram uma crise de imigração.
Naturalizado brasileiro desde 2001, o remador do Vasco Alexis Mestre foi fazer um intercâmbio no Espírito Santo, em 1998, e não votou mais ao seu país. “Quando você fica um tempo fora, vê como o capitalismo é bom… por isso decidi ficar”, explica.

Para o remador Alexis, a não inclusão dos atletas na reforma da lei continuará a estimular os esportistas a deixarem a ilha. “Com essa restrição, muitos atletas continuarão a deixar Cuba e ficar em outro país, não vai ter como segurar”, opina.