Deportações podem quebrar recorde em 2012

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Até agosto o número de expulsos é de 366.292 e falta somar os deportados em setembro

Em quase 11 meses do ano fiscal 2012 foram deportados 366.292 indocumentados e ainda falta acrescentar à lista os expulsos durante os últimos seis dias de agosto e o mês de setembro, segundo relatórios publicados pelo ICE.

A média mensal de deportados foi de 33.299, e o mês com maior número de expulsões executadas foi maio, com 40.164.

Se à média for agregada a quantidade de deportados entre 1º de outubro de 2011 e 31 de agosto de 2012quando encerra o ano fiscal americano -, a cifra de deportações alcançará 399.591, novo recorde para a administração Obama.

O presidente reconheceu durante um encontro com jornalistas latinos no mês passado que o cumprimento do compromisso de fazer a reforma imigratória foi um dos maiores fracassos de seu governo.

O número de deportações é inaceitável, uma vergonha para este país, declarou Angélica Salas, diretora executiva da Coalizão pelos Direitos Humanos dos Imigrantes de Los Angeles (CHIRLA), na Califórnia. Acrescentou que “este é um dos piores” governos em matéria de imigração.

Angélica Salas disse ser “muito importante que o presidente reflita sobre estas horríveis cifras”. E se ganhar a reeleição em 6 de novembro, finalmente passe uma reforma imigratória ampla, porque não podemos passar mais um ano com tanta gente deportada”.

A respeito da postura do candidato Mitt Romney sobre o tema imigratório, a ativista disse que “infelizmente tem uma postura pior”, mas destacou o compromisso anunciado esta semana de manter a Deferred Action, caso vença a corrida para a Casa Branca.
Má notícia para Obama

O número de deportados pode transformar-se em má notícia para o presidente Obama, que tenta a reeleição em 6 de novembro. “São cifras muito altas”, advertiu o professor Roberto Izurieta, diretor do Departamento de Política Latino-Americana da Universidade George Washington. “Ou o governo não tem controle do processo de deportações executado pelo ICE ou não deu a devida importância”.

Ele disse ainda que “antes, as deportações eram altas sob o pretexto de que o governo democrata queria demonstrar aos republicanos que estava comprometido com a segurança e o controle imigratório para conseguir seu apoio para uma reforma imigratória no Congresso, mas hoje isto não faz sentido”.

Perguntado se o número de deportados influirá no voto latino, Izurieta respondeu que “depende da publicidade que se dê a esta cifra”. Acrescentou estar convencido, “do respaldo que o presidente está recebendo do eleitorado latino, que tentará uma reforma imigratória em seu segundo mandato”.

“A pergunta é se terá os votos e, sem um mínimo de apoio republicano, não creio que consiga”, destacou. Para ser aprovada a reforma imigratória no Congresso são necessários 218 votos na Câmera de Deputados e 60 no Senado.

Consultado se a campanha republicana utilizará o número de deportados para atingir seus rivais democratas, Izurieta indicou que não acredita muito nisto. “Os números deles também foram ruins durante o governo de George W. Bush. E, enquanto Romney não expor uma proposta imigratória, convém a ele ficar fora deste tema”.